2 de jul. de 2014






Por ROBERTO VIEIRA

Até hoje é quase impossível.

Ser campeão já é difícil.

Bicampeão, nem pensar.

O primeiro a tentar foi Feola.

Feola que virou sonâmbulo em 1966.

Inimigo público dos súditos do Rei.

Enfeite na desorganizada CBD.

Depois, trouxeram de volta Aimoré.

Aimoré que mandaram embora depressa.

E tem gente que nem lembra do Aimoré de 1962.
 
Lembra apenas o Aimoré quase sem Pelé de 67/68.

Como o Zagalo na montanha russa.

Herói em 70 – com ressalvas dos fãs do Saldanha.

Judas em 74.

Velho Lobo em 1998 diante da França.

Chegando perto com a equipe aos pedaços.

Com mais amor que futebol em campo.

Com o país engolindo um técnico tantas vezes campeão.

Zagalo que ganhou com jogador em 58 e 62.

E como coadjuvante em 1994.

Parreira?

Trouxe o caneco de volta pragmático.

Reconvocando Romário.

E pragmático sucumbiu nas boates europeias em 2006.

Quando o craque não quer...

Parreira que tinha sido sacudido fora em 1984.

Com todos os santos da Fonte Nova. 


Então.

Temos hoje o Felipão.

Felipão que nunca perdeu um jogo em Copas com a seleção.

Feito que seria traduzido em santidade na Alemanha e no Japão.

Felipão querendo repetir o feito de Vitorio Pozzo em 34/38.

Invicto e bicampeão com a Azzurra.

Felipão que tem Neymar mas não tem Mussolini.

Nem Videla.

Felipão que chega nas quartas de final.

E ninguém lembra.

Que sem Felipão, a gente teria ficado na Croácia... comendo Camarão.




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