O cabo Rigoberto demora a entender a manchete dos jornais.
Manhã de chuva na Vila Mosqueiro, foz do rio Vaza-Barris.
O barulho das ondas do mar acorda a terra de pescadores em Aracaju.
De repente, o grito chama a atenção da vila.
Um corpo despedaçado de criança chega na areia trazido pela correnteza.
Um rosto sem mãos e pernas.
Logo, a praia se vê inundada de roupas e cadáveres.
Mulheres choram com seus filhos nos braços.
Os pescadores desistem da pesca naquele dia e nos outros.
A água do mar tem o gosto de sangue.
Rigoberto pensa na mãe.
Eram 19 horas do dia 15 de agosto de 1942.
O paquete Baependi, barco construído pelos alemães em Hamburgo no estaleiro Blohm & Voss em 1899, navega na costa de Sergipe.
Existe apreensão à bordo, afinal de contas, quatorze navios brasileiros haviam sido atingidos por submarinos alemães desde que o Brasil rompera relações diplomáticas com o Eixo.
O comandante Harro Schacht tinha 35 anos e uma Cruz de Ferro de 1ª Classe.
O U-507 era seu lar desde o dia 8 de outubro de 1941.
O submarino construído em Hamburgo descansara durante o mês de junho na França após afundar oito navios em sua primeira missão no Caribe.
No dia 4 de julho, Schacht recebe ordens para navegar até o litoral brasileiro e semear o terror.
O cabo Rigoberto Souza abre as páginas dos jornais em Recife.
Rigoberto que concluiu o curso no Centro de Formação de Oficiais da Reserva da 7ª Região Militar.
Schacht comemora. O SS Baependy afunda.
Duzentos e noventa brasileiros morrem.
Schacht não perde tempo.
Localiza e explode o Araraquara, o Aníbal Benevolo, o Itagyba, o Arara e o Jacyra.
A multidão se aglomera diante do palácio do Governo em Recife.
O interventor Agamenom Magalhães fala da sacada do palácio.
Rigoberto imagina se Getúlio Vargas vai permanecer calado diante do assassinato de mulheres e crianças brasileiras.
Harro Schacht
NOTA DO BLOG: Sobre o assunto, recomendo o belíssimo livro de Mestre Roberto Sander 'Brasil - Na Mira de Hitler'




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