Era impossível, diziam os experts.
Era impossível, diziam os búzios.
Era impossível, diziam os incrédulos.
Era impossível, dizia a lógica elementar dos acadêmicos de cartola e fraque.
Fui para o Arruda por ser alvirrubro.
Fui para o Arruda pois que se dane o mundo.
Gosto do Náutico apesar dos experts, dos búzios, dos incrédulos e dos acadêmicos.
Domingo de sol.
Os jornais estampavam a foto do Santa Cruz campeão.
Me senti um uruguaio no Rio de Janeiro do 16 de julho de 1950.
Um idiota do realismo fantástico de um Gabriel Garcia Marques.
Antes passei pelos Aflitos.
Uma Macondo na Rosa e Silva.
O Náutico era uma aldeia construída à beira de um riacho de águas diáfanas no Caribe.
Mas havia outros idiotas no Arruda.
Sobreviventes de um naufrágio.
Cheios de paixão naqueles dias de cólera.
Apaixonados por um clube apesar dos mil anos de solidão.
Loucos para brincar com suas meninas tristes.
Alucinados para trancafiar o general em seu labirinto.
Um bando alvirrubro que insistia em acreditar que futebol é feito de barro soprado pelos deuses do futebol.
Fechei os olhos.
Me vi criança na imensidão dos pampas da bola.
Gol de Batata.
Gol de Jorge Henrique.
Em três minutos a bandeirinha de escanteio provou que era Timbu.
Silêncio dos experts.
Silêncio dos búzios.
Silêncio dos incrédulos.
Silêncio dos fraques, microfones e cartolas.
Assisti os demais 87 minutos ajoelhado.
Ajoelhado vi o gol de Kuki.
Ajoelhado entendi que expert de futebol é que nem búzio no Saara.
Um inútil que não sabe cobrar nem lateral...
* Dedicado ao querido Mestre José Geandre
Quem é verdadeiramente "expert de futebol" sabe ser esse jogo de bola o cenário do imprevisto, o cemitério das certezas...
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