20 de mar. de 2014







BELLINI

Bellini ainda é  “um senhor jogador de bola”
Porque não usava um olho só
E nem jogava em terra de cego,
Portanto, nego,
Tinha os dois e, muito mais.
Sim, porque era preciso muita bola e siso
Para  andar na cola dos pés magistrais,
Daqueles príncipes da Corte,  doutores da lei,
Um rei, absoluto,  e um exército de generais,
Homens que  jogavam jogos
De relativa  guerra e uma delicada  paz
Dentro daquelas  cidadelas
Com seus gramados perfeitos
E  cavaleiros, elegantemente   medievais.

Na entrada do pátio do castelo,
O comandante Bellini mandava.
Dava ordens,  impunha justiça,
Varria a grande área, limpava,
Cuidava,  da torre à cavalariça,
E se o ataque fosse certeiro
Subia, súbito,  a ponte levadiça
Para proteger  o seu arqueiro.

Bellini será sempre uma figura lendária
Porque quando a linha abria o ataque
Ele armava a defesa  templária
E, com golpes e toques de fino apuro
Segurava o baque.
Isolava a grande área
E mostrava
Que apesar de ser muito  duro
Jamais  perdia  a ternura
Que tem que ter  o craque.

O “ Capitão”  ainda é  soberano,
Mestre em qualquer continente
E dono do próprio Gueto.
E sempre foi sangue de preto
Num   coração de ariano;
Era  um Osvald de Andrade
De verso espartano e jogo duro,
E  belo,  um belíssimo capitão de escol.

Ele era a inclinação da rampa,
E  um cavaleiro de fina estampa
Eternizado pelo grande futebol
E pelo gesto emocionante
De erguer a taça na direção do Sol.

Montezuma, asteca,
Atahualpa,  inca,
César, romano,
Bandeirante,  paulista,
O quinto elemento.

Enfrentando os craques,
Um duro cata-vento.
Acompanhando a bola,
Um delicado girassol.


Nesse instante, o “Capitão”,
Diante da triste realidade
Fica com um pé na seleção
E o outro na eternidade.



Ayrton Pelim


2 comentários:

  1. Bellini não poderia receber melhor homenagem do que esse magnífico poema do sempre inspirado Ayrton Pelim.

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Comentários