BELLINI
Bellini ainda é “um senhor jogador de bola”
Porque não usava um olho só
E nem jogava em terra de cego,
Portanto, nego,
Tinha os dois e, muito mais.
Sim, porque era preciso muita
bola e siso
Para andar na cola dos pés magistrais,
Daqueles príncipes da Corte, doutores da lei,
Um rei, absoluto, e um exército de generais,
Homens que jogavam jogos
De relativa guerra e uma delicada paz
Dentro daquelas cidadelas
Com seus gramados perfeitos
E cavaleiros, elegantemente medievais.
Na entrada do pátio do castelo,
O comandante Bellini mandava.
Dava ordens, impunha justiça,
Varria a grande área, limpava,
Cuidava, da torre à cavalariça,
E se o ataque fosse certeiro
Subia, súbito, a ponte levadiça
Para proteger o seu arqueiro.
Bellini será sempre uma figura
lendária
Porque quando a linha abria o
ataque
Ele armava a defesa templária
E, com golpes e toques de fino
apuro
Segurava o baque.
Isolava a grande área
E mostrava
Que apesar de ser muito duro
Jamais perdia a ternura
Que tem que ter o craque.
O “ Capitão” ainda é soberano,
Mestre em qualquer continente
E dono do próprio Gueto.
E sempre foi sangue de preto
Num coração
de ariano;
Era um Osvald de Andrade
De verso espartano e jogo duro,
E belo, um belíssimo capitão de escol.
Ele era a inclinação da rampa,
E um cavaleiro de fina estampa
Eternizado pelo grande futebol
E pelo gesto emocionante
De erguer a taça na direção do
Sol.
Montezuma, asteca,
Atahualpa, inca,
César, romano,
Bandeirante, paulista,
O quinto elemento.
Enfrentando os craques,
Um duro cata-vento.
Acompanhando a bola,
Um delicado girassol.
Nesse instante, o “Capitão”,
Diante da triste realidade
Fica com um pé na seleção
E o outro na eternidade.
Ayrton Pelim

Bellini não poderia receber melhor homenagem do que esse magnífico poema do sempre inspirado Ayrton Pelim.
ResponderExcluirSoberbo! Poemaço!
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