23 de set. de 2013





Por ROBERTO VIEIRA


Pablo Neruda agoniza.
Pinochet ordena a queima de livros no Chile.
As livrarias devem entregar as obras marxistas.
Vinte poemas de amor em chamas.
Arde o canto geral.
Os amigos estão proscritos.
Allende, morto.
A casa na Ilha Negra em ruínas.
1948.
O governo de Videla persegue o Poeta.
Fuga. Montanhas.
Mas desta vez não existe para onde fugir.
Existe apenas um homem agonizante.
O que diria Lorca disso tudo?
Matilde abraça o corpo sem vida.
Sem alma.
Os livros ardem na capital chilena.
Pinochet brinda os mortos de setembro.
‘Queimem no inferno!’
Versos voam pela noite estrelada.
Um jovem observa os versos no céu.
Sou porque tu és...
Pode-se negar o mar, o céu.
Pode-se negar o pão.
Mas os versos de amor permanecerão.

Apesar das canções desesperadas...


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