Por
ROBERTO VIEIRA
Pablo Neruda agoniza.
Pinochet ordena a
queima de livros no Chile.
As livrarias devem
entregar as obras marxistas.
Vinte poemas de amor em
chamas.
Arde o canto geral.
Os amigos estão proscritos.
Allende, morto.
A casa na Ilha Negra em
ruínas.
1948.
O governo de Videla
persegue o Poeta.
Fuga. Montanhas.
Mas desta vez não
existe para onde fugir.
Existe apenas um homem
agonizante.
O que diria Lorca disso
tudo?
Matilde abraça o corpo
sem vida.
Sem alma.
Os livros ardem na
capital chilena.
Pinochet brinda os
mortos de setembro.
‘Queimem no inferno!’
Versos voam pela noite
estrelada.
Um jovem observa os
versos no céu.
Sou porque tu és...
Pode-se negar o mar, o
céu.
Pode-se negar o pão.
Mas os versos de amor
permanecerão.
Apesar das canções
desesperadas...

Bravo!
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