2 de jul. de 2013





Todo escritor brasileiro, ou quase todo, sonha em ser Machado de Assis. Bruxo, poeta, cronista, romancista, enxadrista, genial. Eu me incluo neste grupo, mas nunca me passou pela cabeça a possibilidade de tal fato ocorrer. Porém, graças ao talento sherloquiano do Mestre Cassio Zirpoli, eu, Carlos Celso Cordeiro e Lucídio José de Oliveira temos algo em comum com o craque carioca: o erro de revisão.

O mais célebre erro revisional de nossa literatura é DELE, Machado. Em 1901, lançamento de suas POESIAS COMPLETAS, o bardo se esmerou nas revisões. Séculos de idas e vindas. Porém, como já diria Érico Veríssimo, a bola passou entre as mãos enluvadas de Machado. O livro editado pela GARNIER francesa - lá mesmo, em Paris - foi lançado com uma pérola na página VI.

Machado tomaria todas se fosse Pessoa. Mas era Machado. Recolheram os exemplares, rasparam a letra infame, rezaram aos céus... mas ficaram alguns livros com o erro revisional. Livros que entraram para a história.

Em cada livro de um autor, sempre encontramos falhas, enganos, ilusões de ótica. Os autores choram pelos cantos e se calam... vai ver ninguém nota. Entretanto, errar é humano. E nós somos antes de tudo humanos.

A foto do Moisés Lucarelli passou incólume na capa. Mestre Celso até argumentou, mas ficou como arte gráfica. Um recurso técnico que passaria invisível.

Não passou.

E, graças ao bom Deus, não passou.

Tivemos sorte imensa. Cássio, somos seus eternos devedores.

Estamos remediando o acontecido.

Cientes de que os Aflitos, a torcida alvirrubra e o público merecem sempre o melhor.

Só não posso garantir que nosso melhor será perfeito.

Pois nem mesmo somos Machado, nem o santo de Assis...

Obrigado pela compreensão,

o dia do lançamento fica mantido por enquanto,

estamos batalhando, trabalhando e eu vou tomar meu Prozac depois do almoço, risos...

Abraço afetuoso em todos,

Roberto Vieira


4 comentários:

  1. Roberto,

    No momento em que o erro ficou claro, a primeira coisa que fiz foi ligar para Carlos Celso, um colaborador de longa data (não só para a minha atuação no jornal, mas para o meu próprio trabalho de conclusão do curso de jornalismo).

    Queria, antes de tudo, poder ajudar a consertar esse erro. Se era possível "parar a gráfica" para refazer a capa. Quando Carlos Celso confirmou a imagem e disse que o livro estava impresso, a sua voz denunciava uma certa tristeza.

    Nesta terça, a editora se pronunciou e disse que era apenas uma imagem de divulgação. Talvez até para apagar logo o incêndio, uma vez que não faz muito sentido produzir essa imagem para a divulgação e outra para o livro.

    Independentemente disso, fiquei feliz ao saber que o livro chegará com os Aflitos na capa. Como tinha que ser.

    Abraço,

    Cassio Zirpoli

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  2. O mestre Carlos Zírpoli terá como prova de reconhecimento um exemplar do Adeus com dedicatória especial assinada não a quatro, mas a "seis mãos"...

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  3. PELO JEITO O VELHO ESTÁDIO NÃO ESTÁ QUERENDO NOS DEIXAR E PELO ANDAR DA CARRUAGEM VELHO AMIGO, O LIVRO TERÁ SUA PRIMEIRA REVISÃO, O TÍTULO, "ADEUS AFLITOS" NÃO IRÁ FAZER SENTIDO. DESCANSE VELHO AMIGO, SONHE COM OS GRITOS DE ‘É CAMPEÃO, HEXA É LUXO’, OUÇA NO SILÊNCIO DA NOITE OS GOLS DE NADO, BITA, J. MENDONÇA, BAIANO, BIZÚ, KUKI E TANTOS OUTROS NAS VOZES DOS NARRADORES QUE FIZERAM HISTÓRIA NO AINDA DE PÉ BALANÇA RADIOFÔNOCO MAIS NÃO CAI, POR TRÁS DAS SOCIAIS. QUEM SABE NÃO VOLTEMOS PARA ACORDAR O SEU SONO AINDA NÃO ETERNO. SAUDADES E ABRAÇOS VELHO AMIGO.

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Comentários