14 de jul. de 2013





Por ROBERTO VIEIRA


‘Você não sente nem vê, mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo, que uma nova mudança em breve vai acontecer...’

Somos gratos a eles. Eles que sofreram, foram torturados, presos. Obrigado. Mas precisamos todos rejuvenescer...

Durante 165 anos, estiveram na vanguarda revolucionária. Queimaram czares, enfrentaram nazistas, desfilaram na Via Anchieta, botaram o bloco na rua em Córdoba, implantaram a foice e o martelo no imaginário universal.

Pareciam imortais. Erguendo-se no ABC paulista, sepultando a ditadura militar brasileira, elegendo o primeiro operário presidente da nação. Acabando com a fome, distribuindo bolsas, perpetuando-se no Poder.

Pena que a história é cruel. O ser humano não quer pão apenas; o ser humano quer diversão, arte, transporte público, saúde e educação de qualidade. Copa do Mundo não basta.

Na semana que passou, grupos tíbios ditos de esquerda andaram pelas avenidas do país. Pagos para desfilar, defendendo bandeiras que já nem sabem quais são, movidos a carro de som e pelegos. O triste fim do manifesto comunista que foi lançado em 1848 por Marx e Engels.

A sociedade civil escanteou o movimento trabalhista. Com a sem cerimônia dos que estão cansados de ver muito cacique pra pouco índio. Com a autoridade de quem balançou o Congresso Nacional e a presidência. Com a beatitude que só mesmo os ungidos pela história ousam triunfar.

Trabalhadores do mundo tinha certo charme. Mãos calejadas, um por todos, todos contra um capitalismo banguela que também parece perdido no tico tico sem fubá.

Os políticos não entendem nada.

Os operários, também não.

Imaginam cooptar as multidões e lidera-las novamente como se as multidões não tivessem facebuqui e tuiter. Como se os jovens nas ruas fossem mesmo uma legião de alienados.

Observem que eu ouvi esta definição de um cara com mestrado e doutorado.

Cara que imagina que os jovens querem apenas farra.

Farra, meus amigos, quem quis mesmo foi o movimento trabalhista esta semana. Decretou dia de greve e foram passear nos parques, shoppings e praias. Juntando todos os presentes no dia de luta, dava umas dezessete pessoas.

O mundo mudou. Marx é um quadro na parede, Engels ficou gagá, Fidel aposentou-se.

Lula? Sumiu. Ninguém viu.

Não é por mal. É que Lula entende de política e trabalhismo. Lula é um soldado do operariado.

E desta vez, quem botou o bloco na rua é civil.

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4 comentários:

  1. Mestre dos mestres. Mais uma vez você capta a realidade com olhos de lince. A nova vanguarda revolucionaria são os médicos. Espero agora que esta epifania carbonária se volte a questionar as estruturas arcaicas e carcomidas dos aflitos.

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  2. Parabéns pelo excelente texto Mestre Roberto Vieira, o Pra não dizer que não falei das flores, ficou nas entrelinhas, está explicito!

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  3. Bruno Rodrigo G. Pereira15 de julho de 2013 às 00:50

    Roberto, antes de tudo, respeito sua opinião. Mas, para os que duvidam, recomendo comparar os números da gestão LULA (2003-2010) com a de seus antecessores/detratores. Evidente que ainda está longe do ideal (o ideal só existe em nossos sonhos pueris), porém, lembro que contra números não há argumentos.










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  4. Os trabalhadores foram fundamentais. Mas a roda do tempo não para...

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Comentários