Por ROBERTO VIEIRA
‘Você
não sente nem vê, mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo, que uma nova
mudança em breve vai acontecer...’
Somos gratos a eles. Eles que sofreram, foram
torturados, presos. Obrigado. Mas precisamos todos rejuvenescer...
Durante 165 anos, estiveram na vanguarda
revolucionária. Queimaram czares, enfrentaram nazistas, desfilaram na Via
Anchieta, botaram o bloco na rua em Córdoba, implantaram a foice e o martelo no
imaginário universal.
Pareciam imortais. Erguendo-se no ABC paulista,
sepultando a ditadura militar brasileira, elegendo o primeiro operário
presidente da nação. Acabando com a fome, distribuindo bolsas, perpetuando-se
no Poder.
Pena que a história é cruel. O ser humano não quer
pão apenas; o ser humano quer diversão, arte, transporte público, saúde e
educação de qualidade. Copa do Mundo não basta.
Na semana que passou, grupos tíbios ditos de
esquerda andaram pelas avenidas do país. Pagos para desfilar, defendendo
bandeiras que já nem sabem quais são, movidos a carro de som e pelegos. O
triste fim do manifesto comunista que foi lançado em 1848 por Marx e Engels.
A sociedade civil escanteou o movimento trabalhista.
Com a sem cerimônia dos que estão cansados de ver muito cacique pra pouco
índio. Com a autoridade de quem balançou o Congresso Nacional e a presidência.
Com a beatitude que só mesmo os ungidos pela história ousam triunfar.
Trabalhadores do mundo tinha certo charme. Mãos
calejadas, um por todos, todos contra um capitalismo banguela que também parece
perdido no tico tico sem fubá.
Os políticos não entendem nada.
Os operários, também não.
Imaginam cooptar as multidões e lidera-las novamente
como se as multidões não tivessem facebuqui e tuiter. Como se os jovens nas
ruas fossem mesmo uma legião de alienados.
Observem que eu ouvi esta definição de um cara com
mestrado e doutorado.
Cara que imagina que os jovens querem apenas farra.
Farra, meus amigos, quem quis mesmo foi o movimento
trabalhista esta semana. Decretou dia de greve e foram passear nos parques,
shoppings e praias. Juntando todos os presentes no dia de luta, dava umas
dezessete pessoas.
O mundo mudou. Marx é um quadro na parede, Engels
ficou gagá, Fidel aposentou-se.
Lula? Sumiu. Ninguém viu.
Não é por mal. É que Lula entende de política e
trabalhismo. Lula é um soldado do operariado.
E desta vez, quem botou o bloco na rua é civil.

Mestre dos mestres. Mais uma vez você capta a realidade com olhos de lince. A nova vanguarda revolucionaria são os médicos. Espero agora que esta epifania carbonária se volte a questionar as estruturas arcaicas e carcomidas dos aflitos.
ResponderExcluirParabéns pelo excelente texto Mestre Roberto Vieira, o Pra não dizer que não falei das flores, ficou nas entrelinhas, está explicito!
ResponderExcluirRoberto, antes de tudo, respeito sua opinião. Mas, para os que duvidam, recomendo comparar os números da gestão LULA (2003-2010) com a de seus antecessores/detratores. Evidente que ainda está longe do ideal (o ideal só existe em nossos sonhos pueris), porém, lembro que contra números não há argumentos.
ResponderExcluirOs trabalhadores foram fundamentais. Mas a roda do tempo não para...
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