27 de jul. de 2013






Julho de 1951. O América, vice-campeão pernambucano, decide realizar um antigo sonho: conhecer a Cidade Maravilhosa. No ano anterior, antes da Copa do Mundo, os jornais chegaram a discutir se o América deveria ou não seguir os passos do Sport, única agremiação pernambucana a excursionar ao Sul-Maravilha. Os rubro-negros, comandados por Ademir Menezes haviam maravilhado o antigo Distrito Federal, passando por cima de Flamengo e Vasco da Gama. O sonho do América era repetir o feito do Leão. Para efeito de comparação, o Náutico só viria a atuar no Maracanã em 1965, pela Taça Brasil, e o Santa Cruz só pisaria no Rio de Janeiro em 1969, pelo Robertão. 


Se Dequinha já fazia parte do Flamengo, o alagoano Tomires era pau pra toda obra na defensiva esmeraldina. Na frente, o artilheiro Hamilton era esperança de muitos gols. Isaias, Dario, Astrogildo e Varejão davam conta do recado. O América convocou o árbitro Argemiro Félix, o popular Sherlock, e foi realizar seu sonho.

Chegando a capital brasileira, o América se defrontou no estádio da rua Álvaro Chaves com o Fluminense de Zezé Moreira. O jogo fazia parte das comemorações do 49º aniversário do tricolor carioca, o qual alinhou sua constelação de craques: Castilho; Lafayette e Pinheiro; Pé de Valsa, Stanford e Jaminho; Reis, Vilalobos (Didi), Carlyle, Orlando e Joel. Vale destacar os nomes de Jaminho e Orlando Pingo de Ouro, dois dos maiores craques nascidos em Pernambuco.

O América utilizou sua formação clássica com Zépaulo; Decadela e Geraldo; Tomires, Sevi e Astrogildo; Isaias, Hamilton, Macaquinho, Valerianoh e Dario. Uma equipe dotada de imenso espírito de luta, segundo a imprensa carioca, mas impotente para vencer Castilho em dia pra lá de inspirado. Com dez minutos de jogo, Joel e Carlyle já marcavam 2x0. Antes do intervalo, Orlando lembrou seus dias de Náutico e marcou o terceiro, deixando para Quincas balançar as redes pela quarta vez. A segunda etapa foi toda de luta do América para diminuir o placar adverso, fato que morreu nas defesas fantasmagóricas do arqueiro das Laranjeiras. 


Os jornais pernambucanos estamparam o 4x0 inapelável. Cronistas usaram seu talento para criticar severamente a viagem esmeraldina. Esqueceram até os elogios a boa arbitragem de Sherlock. O pânico se avolumou quando foi anunciado o próximo adversário: o Flamengo. Logo o rubro-negro, campeão do Torneio Início realizado naquela mesma semana no Maracanã. Logo o rubro-negro de Flávio Costa, retornando de excursão invicta pelo Velho Continente.

Novamente com Sherlock na arbitragem, o América entrou em General Severiano no dia 31 de julho de 1951, disposto a recuperar sua imagem. O problema era que o Flamengo tinha o paraguaio Garcia no arco, Biguá e Bigode no meio, Gringo, Índio e Esquerdinha no ataque – Gringo que se tornaria ídolo do Sport Club Recife. O resultado de 3x0 era absolutamente normal. Dois gols de Hermes na primeira etapa, o primeiro com apenas dois minutos de jogo, e um de Paulinho no segundo tempo. Astrogildo pelo América e Aloísio do Flamengo foram mais cedo pro chuveiro, aos sete minutos da etapa final. Com as bençãos de Argemiro Félix. 

A excursão terminava ali. Os jogos em Belo Horizonte estavam cancelados. Pernambuco tripudiava em cima do América. O Santa Cruz se preparou para vencer o rival na abertura do estadual.

Só que o América estava bem vivo. Com Borracha no lugar de Zépaulo, com o ataque envenenado, o América abriu o marcador aos 90 segundo de jogo com Isaías. Aos 9 minutos, Macaquinho estufou as redes de Neves. Aos 17 minutos foi a vez de Valeriano. O América vence por 3x1 e os adversários decidiram que era melhor jogar de bico fechado.  



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