Julho de 1951. O América, vice-campeão pernambucano,
decide realizar um antigo sonho: conhecer a Cidade Maravilhosa. No ano
anterior, antes da Copa do Mundo, os jornais chegaram a discutir se o América
deveria ou não seguir os passos do Sport, única agremiação pernambucana a
excursionar ao Sul-Maravilha. Os rubro-negros, comandados por Ademir Menezes
haviam maravilhado o antigo Distrito Federal, passando por cima de Flamengo e
Vasco da Gama. O sonho do América era repetir o feito do Leão. Para efeito de
comparação, o Náutico só viria a atuar no Maracanã em 1965, pela Taça Brasil, e
o Santa Cruz só pisaria no Rio de Janeiro em 1969, pelo Robertão.
Se Dequinha já fazia parte do Flamengo, o alagoano
Tomires era pau pra toda obra na defensiva esmeraldina. Na frente, o artilheiro
Hamilton era esperança de muitos gols. Isaias, Dario, Astrogildo e Varejão
davam conta do recado. O América convocou o árbitro Argemiro Félix, o popular
Sherlock, e foi realizar seu sonho.
Chegando a capital brasileira, o América se
defrontou no estádio da rua Álvaro Chaves com o Fluminense de Zezé Moreira. O
jogo fazia parte das comemorações do 49º aniversário do tricolor carioca, o
qual alinhou sua constelação de craques: Castilho; Lafayette e Pinheiro; Pé de
Valsa, Stanford e Jaminho; Reis, Vilalobos (Didi), Carlyle, Orlando e Joel.
Vale destacar os nomes de Jaminho e Orlando Pingo de Ouro, dois dos maiores
craques nascidos em Pernambuco.
O América utilizou sua formação clássica com
Zépaulo; Decadela e Geraldo; Tomires, Sevi e
Astrogildo; Isaias, Hamilton, Macaquinho, Valerianoh
e Dario. Uma equipe dotada de imenso espírito de luta, segundo a imprensa
carioca, mas impotente para vencer Castilho em dia pra lá de inspirado. Com dez
minutos de jogo, Joel e Carlyle já marcavam 2x0. Antes do intervalo, Orlando
lembrou seus dias de Náutico e marcou o terceiro, deixando para Quincas
balançar as redes pela quarta vez. A segunda etapa foi toda de luta do América
para diminuir o placar adverso, fato que morreu nas defesas fantasmagóricas do
arqueiro das Laranjeiras.
Os jornais pernambucanos estamparam o 4x0
inapelável. Cronistas usaram seu talento para criticar severamente a viagem
esmeraldina. Esqueceram até os elogios a boa arbitragem de Sherlock. O pânico
se avolumou quando foi anunciado o próximo adversário: o Flamengo. Logo o
rubro-negro, campeão do Torneio Início realizado naquela mesma semana no
Maracanã. Logo o rubro-negro de Flávio Costa, retornando de excursão invicta
pelo Velho Continente.
Novamente com Sherlock na arbitragem, o América
entrou em General Severiano no dia 31 de julho de 1951, disposto a recuperar
sua imagem. O problema era que o Flamengo tinha o paraguaio Garcia no arco,
Biguá e Bigode no meio, Gringo, Índio e Esquerdinha no ataque – Gringo que se
tornaria ídolo do Sport Club Recife. O resultado de 3x0 era absolutamente
normal. Dois gols de Hermes na primeira etapa, o primeiro com apenas dois
minutos de jogo, e um de Paulinho no segundo tempo. Astrogildo pelo América e
Aloísio do Flamengo foram mais cedo pro chuveiro, aos sete minutos da etapa
final. Com as bençãos de Argemiro Félix.
A excursão terminava ali. Os jogos em Belo Horizonte
estavam cancelados. Pernambuco tripudiava em cima do América. O Santa Cruz se
preparou para vencer o rival na abertura do estadual.
Só que o América estava bem vivo. Com Borracha no
lugar de Zépaulo, com o ataque envenenado, o América abriu o marcador aos 90
segundo de jogo com Isaías. Aos 9 minutos, Macaquinho estufou as redes de
Neves. Aos 17 minutos foi a vez de Valeriano. O América vence por 3x1 e os
adversários decidiram que era melhor jogar de bico fechado.

América Gigante Brasileiro!
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