29 de jul. de 2013





O clube está bem cuidado. Verde e branco na Estrada do Arraial, pequeno jardim na frente; o clube agora é colégio. Procuro por seu Teófilo. Demora um pouco e lá vem ele, passo determinado e olhar vivo de quem viveu mil anos de futebol.

Seu Teófilo é o América.

Confesso que não estava preparado para conhecer um homem que é um clube. Seu Teófilo é verde em todos os sentidos, menos na camisa vermelha que ostenta – quem sabe lembrança do América vermelho de 1938?

Com gentileza ele me conduz a sala dos troféus do antigo João de Barros. Lá, cuidadosamente guardados, encontramos tesouros do futebol pernambucano. Taças e mais taças representando a história viva do Campeão do Centenário.

O primeiro troféu contemplado é um imenso jogador no centro da sala. Seu Teófilo sorri: é Ele.

Ele é exatamente o troféu referente ao título de 1922, o Troféu do Centenário. Embasbacado, tenho em minhas mãos mortais a peça disputada a ferro e fogo por alviverdes e rubro-negros durante oito intermináveis minutos.

Nunca pensei ter o privilégio.

Depois, um a um, surgem diante dos meus olhos, bem cuidados, organizados, os símbolos de um futebol maior que o tempo. Poucos clubes no Brasil possuem a beleza da história contida nessa sala. Um história de sonhadores e heróis, desbravadores apaixonados por um esporte que ainda engatinhava em nossa terra.

Esses troféus já foram levantados por Zé Tasso, Leça e Julinho.

O Coronel Seixas habita em muitos deles.

1918.

1919.

1927.

Seu Teófilo aguarda pacientemente e avisa: o melhor ainda está por vir.

Como? Então pode haver alguma coisa mais bela na história transformada em realidade sob meus olhos? 

Seu Teófilo segue até um canto e levanta a bola preta e branca. Ante meu olhar inquisidor, sorri e explica:

“Esta foi a bola do último jogo do América na Série A. Guardei aqui comigo, esperando o momento da ressurreição!”  

Emocionado, seguro o objeto sagrado entre as mãos, pensando com meus botões:

Seu Teófilo, além de tudo, é um baita de um profeta...


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2 comentários:

  1. Excepcional, será um importante marco no centenário do clube e para o seguimento em nosso estado, confesso que sou um entusiasta desse tipo de literatura.

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Comentários