O clube está bem cuidado. Verde e branco na Estrada
do Arraial, pequeno jardim na frente; o clube agora é colégio. Procuro por seu
Teófilo. Demora um pouco e lá vem ele, passo determinado e olhar vivo de quem
viveu mil anos de futebol.
Seu Teófilo é o América.
Confesso que não estava preparado para conhecer um
homem que é um clube. Seu Teófilo é verde em todos os sentidos, menos na camisa
vermelha que ostenta – quem sabe lembrança do América vermelho de 1938?
Com gentileza ele me conduz a sala dos troféus do
antigo João de Barros. Lá, cuidadosamente guardados, encontramos tesouros do
futebol pernambucano. Taças e mais taças representando a história viva do
Campeão do Centenário.
O primeiro troféu contemplado é um imenso jogador no
centro da sala. Seu Teófilo sorri: é Ele.
Ele é exatamente o troféu referente ao título de
1922, o Troféu do Centenário. Embasbacado, tenho em minhas mãos mortais a peça
disputada a ferro e fogo por alviverdes e rubro-negros durante oito
intermináveis minutos.
Nunca pensei ter o privilégio.
Depois, um a um, surgem diante dos meus olhos, bem
cuidados, organizados, os símbolos de um futebol maior que o tempo. Poucos
clubes no Brasil possuem a beleza da história contida nessa sala. Um história
de sonhadores e heróis, desbravadores apaixonados por um esporte que ainda
engatinhava em nossa terra.
Esses troféus já foram levantados por Zé Tasso, Leça
e Julinho.
O Coronel Seixas habita em muitos deles.
1918.
1919.
1927.
Seu Teófilo aguarda pacientemente e avisa: o melhor
ainda está por vir.
Como? Então pode haver alguma coisa mais bela na
história transformada em realidade sob meus olhos?
Seu Teófilo segue até um
canto e levanta a bola preta e branca. Ante meu olhar inquisidor, sorri e
explica:
“Esta foi a bola do último jogo do América na Série
A. Guardei aqui comigo, esperando o momento da ressurreição!”
Emocionado, seguro o objeto sagrado entre as mãos,
pensando com meus botões:
Seu Teófilo, além de tudo, é um baita de um
profeta...

Maravilha!
ResponderExcluirExcepcional, será um importante marco no centenário do clube e para o seguimento em nosso estado, confesso que sou um entusiasta desse tipo de literatura.
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