20 de mai. de 2013




Por ROBERTO VIEIRA    

        
ENCOURAÇADO POTENKIM, SERGEI EISENSTEIN


A reunião entrou pela madrugada.

Todos acusavam o Czar.

Judas. Traidor. Ladrão do povo.

O velho bolchevique calou.

Escutou.

Lembrou do passado.

Mãos calejadas pelo passado.

O Czar soube de tudo.

O medo tomou conta dos conspiradores.

Aos poucos.

Uma a um.

Todos foram beijar as mãos do Czar.

Eram tolos.

Inocentes.

O Pai da Pátria era Deus na terra.

O velho bolchevique foi o único a permanecer impávido.

Silencioso.

O único que conhecera as masmorras da Mãe Rússia.

Na derradeira noite do derradeiro mês.

Os soldados do Czar invadiram a choupana do velho bolchevique.

Mataram sua esposa.

Crucificaram os filhos.

Deceparam os netos.

Mas não encontraram o velho bolchevique.

No dia seguinte.

Pranto nas catedrais.

Amanhecera morto o bondoso monarca.

Assassinado enquanto dormia o sono dos justos.

Spokoynoy nochi, Papa!







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