Por ROBERTO VIEIRA
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| ENCOURAÇADO POTENKIM, SERGEI EISENSTEIN |
A reunião entrou pela madrugada.
Todos acusavam o Czar.
Judas. Traidor. Ladrão do povo.
O velho bolchevique calou.
Escutou.
Lembrou do passado.
Mãos calejadas pelo passado.
O Czar soube de tudo.
O medo tomou conta dos conspiradores.
Aos poucos.
Uma a um.
Todos foram beijar as mãos do Czar.
Eram tolos.
Inocentes.
O Pai da Pátria era Deus na terra.
O velho bolchevique foi o único a permanecer impávido.
Silencioso.
O único que conhecera as masmorras da Mãe Rússia.
Na derradeira noite do derradeiro mês.
Os soldados do Czar invadiram a choupana do velho bolchevique.
Mataram sua esposa.
Crucificaram os filhos.
Deceparam os netos.
Mas não encontraram o velho bolchevique.
No dia seguinte.
Pranto nas catedrais.
Amanhecera morto o bondoso monarca.
Assassinado enquanto dormia o sono dos justos.
Spokoynoy nochi, Papa!

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