Por ROBERTO VIEIRA
Cortou o cabelo.
Fez as unhas.
Comprou uma roupa nova para a noite que chegava.
Ele iria notar.
Fazia tanto tempo que não notava. Nenhum beijo, nenhum
abraço, nenhuma palavra carinhosa.
Os filhos estavam na casa da mãe.
Oito horas.
Barulho do elevador, ele entra em casa de celular ligado,
falando com o aparelho como se fosse uma pessoa. Passou por ela, por seus
sonhos, pelo cabelo cortado, pelas unhas e pelo perfume do Boticário. Entrou no
banheiro, tomou banho, botou um pijama, ligou o computador, abriu os e-mails e
ao verificar que nada de importante fora esquecido, olhou pra ela deu boa noite
e dormiu.
Ela ficou ali no apartamento.
Os cabelos cortados.
As unhas pintadas.
A roupa nova.
O perfume do Boticário.
Até que chegou o sono e ela foi dormir.
No dia seguinte tinha de acordar cedo, pegar os filhos na
casa da mãe e leva-los a escola.
A culpa foi desse perfume do Boticário. Vai ver que, para ele, funcionou como repelente...
ResponderExcluirMuito me impressiona a falta de conversa entre casais e famílias,de um modo geral,nos restaurantes e barzinhos da vida.Fico abismado com as pessoas ligadas nos tablets e smartphones,sem trocar nenhum diálogo com os ocupantes da mesa.Como li em algum lugar,um sábio afirmou que esses aparelhos servem para aproximar pessoas distantes e para afastar pessoas próximas...
ResponderExcluirCarlos Leite