11 de mar. de 2013







BRASIL 1X0 PARAGUAI, 1969 - O MAIOR PÚBLICO PAGANTE DA NOSSA HISTÓRIA 



Por ROBERTO VIEIRA   


Foi devagarzinho.

Primeiro a internet.

Depois o vizinho que perdeu seu filho.

Morto por uma torcida organizada.

Vieram as manchetes de máfia no apito.

Máfia da loteria.

Convocações compradas a peso de ouro.

A miséria também colaborou.

No dia em que desapareceu o último miserável do Brasil.

Onde encontrar jogador?

Nas escolinhas da classe alta e média?

Vieram as Arenas.

Luxuosas casas de espetáculo.

Camarotes vips desprovidos de negros e mulatos.

Um aqui outro acolá.

Skate, cubo, facebook, playstation, laptop, ipad e google.

Corrupção?

A política já era mais que suficiente.

Dirigente e propina encheu o saco.

Os brasileiros foram ficando em casa.

Diante da televisão.

Cansados dos elefantes brancos pós-Copa.

Maracanã transformado em estacionamento.

Cansados de Joões, Ricardos, Josés, Lucianos, Euricos e Edilsons. 

Os clubes foram sumindo.

Restaram quarenta.

Depois trinta.

Vinte.

Treze.

Criaram uma NBA tupiniquim.

Mas sem aquela paixão romântica nascida nos estaduais.

Nas bolas de gude.

No menino que amava o Sampaio Correia, o Treze, o Carlos Renaux.

Restou apenas lá e lô.

Foi nesse dia.

O dia em que cartolas e homens de mídia.

Atingiram finalmente sua solução final. 

O dia em que o futebol brasileiro acabou...


3 comentários:

  1. Muito bem posto, Roberto. No caso das Arenas, mesmo tendo inicialmente vibrado ( mesmo que com uma imensa saudade dos Aflitos...) com a nova "casa do Náutico", moderna e suntuosa, logo me apercebi da lamentável tendência que já se esboça: a elitização do público das Arenas. Não sei onde será localizado os beneficiários do "todos com a nota". Mas, desconfio de que, gradual e furtivamente, ele será reduzido até ser completamente banido de um estádio feito para "vips".

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  2. Antes que me incluam no "besteirol", a corrigenda: "Não sei onde serão localizados os beneficiários do "todos com a nota". Quando reli doeu no ouvido...

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  3. Cirurgicamente precisa a postagem do Mestre Roberto.
    Carlos Leite.

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Comentários