Desde Adão, quem
bate um bolão nesse mundo são elas. Porém, no futebol, lugar de mulher era
quando muito na arquibancada, balançando lencinho, soltando gritinhos e
exclamações, até que um belo dia...
O primeiro clássico
das mulheres
Por ROBERTO VIEIRA
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| GENTIL CARDOSO SEMPRE GENTIL |
Não era o dia internacional da mulher.
Mas o que tinha de mulher em campo,
dentro das quatro linhas, era um espanto.
17 de agosto de 1959.
Pacaembu lotado.
Só marmanjo.
Mulher séria não freqüentava estádio.
E nesse dia, muito menos.
Pra você ter uma idéia,
o pontapé inicial da partida foi da Derci Gonçalves.
Clássico Rio-São Paulo.
Em campo nada de perna cabeluda.
Só beldades.
Foi o Rio-São Paulo das vedetes.
Em benefício da Casa do Ator.
Vedete em 1959 era coisa séria.
Personagem de primeira linha da República.
Terror das esposas e noivas deste país varonil.
Arquibancadas em festa.
Aos 22 minutos da primeira etapa.
Cirene Portugal abre a contagem para as cariocas.
Golaço.
Pois é.
Quem pensava que as paulistas estavam derrotadas.
Não conheciam os dotes futebolísticos de Marli Marley.
No peito e na raça.
Marli empata aos 5 minutos da etapa final.
Marli que marca o gol da vitória cinco minutos depois.
Após penalidade máxima cometida por Iolanda Justi.
Iolanda que inocentemente pegou a bola com as mãos.
Dentro da área.
Fim de jogo?
Invasão de campo.
Revanche?
Duas semanas depois no Maracanã.
Após o valoroso elenco carioca.
Ser recepcionado no Aeroporto Santos Dumont pelo técnico Gentil Cardoso.
Uma vez Gentil, sempre gentil.
Pra botar ordem na casa?
Mario Vianna.
Afinal de contas, o popular Colé.
Árbitro da primeira partida foi agredido no final do jogo.
A seleção paulista achou que seria moleza.
Porém as cariocas tinham um trunfo.
Janete.
Artista de circo e artilheira.
Janete marcou os dois tentos da vitória: 2x0
Mas a dona do espetáculo foi a espetacular Conchita Mascarenhas.
Classe, suor e beleza na distribuição do jogo.
Conchita que era a própria Marilyn Monroe brasileira.
Conchita que ergueu a Taça ao final da peleja.
A Casa dos Atores ficou alegre.
Dois milhões de cruzeiros antigos nos cofres.
Um pouco de conforto para os artistas abandonados pela sociedade.
Porém, meus amigos.
A cena mais impressionante destes matches.
Aconteceu com o machão Mario Vianna – com dois N.
Mário Vianna, mestre de artes marciais da temível PE.
Mario Vianna que batia até na torcida.
Pois Mário Vianna apanhou na revanche do Maracanã.
E apanhou caladinho.
Que ele não era besta de reagir...


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