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8 de mar. de 2013

































O Radar nasceu em 1952.

Um bando adolescente querendo disputar o campeonato de futebol de praia.

Radar que depois criou uma equipe feminina.

Associou-se ao grupo Pão de Açúcar.

E saiu ganhando tudo que via pela frente nos anos 80.








Os homens estavam no front.

Primeira guerra mundial.

As inglesas tomam o lugar dos homens nas fábricas de munição.

Cada fábrica, um time.

O Dick Kerr Ladies é o mais forte.

Sai ganhando de tudo e de todos.

Arrastando multidões na Inglaterra.

Até que a guerra acaba.

E certo dia.

Os homens boicotam o futebol feminino.

Até hoje, o futebol feminino inglês é de araque...








Belas, charmosas e prafrentex.

As meninas do time dinamarquês do BK Femina - patrocinadas pela revista do mesmo nome.

Dominaram o futebol nos anos 60.

Em 1970.

Na Copa do Mundo não oficial realizada na Itália.

Elas foram campeãs.

Usando a camisa do Milan.

Pois seu uniforme havia se extraviado  na viagem...









Em novembro de 1920.

Já havia clássicos entre França e Inglaterra no futebol feminino.

E cobrando entradas, Mestres!

Profissionais...





Isso na velha Albion.

No Brasil, nem de armadura...









Desde Adão, quem bate um bolão nesse mundo são elas. Porém, no futebol, lugar de mulher era quando muito na arquibancada, balançando lencinho, soltando gritinhos e exclamações, até que um belo dia...

O primeiro clássico das mulheres

Por ROBERTO VIEIRA



GENTIL CARDOSO SEMPRE GENTIL
         



Não era o dia internacional da mulher.
Mas o que tinha de mulher em campo,
dentro das quatro linhas, era um espanto.
17 de agosto de 1959.
Pacaembu lotado.
Só marmanjo.
Mulher séria não freqüentava estádio.
E nesse dia, muito menos.
Pra você ter uma idéia,
o pontapé inicial da partida foi da Derci Gonçalves.
Clássico Rio-São Paulo.
Em campo nada de perna cabeluda.
Só beldades.
Foi o Rio-São Paulo das vedetes.
Em benefício da Casa do Ator.
Vedete em 1959 era coisa séria.
Personagem de primeira linha da República.
Terror das esposas e noivas deste país varonil.
Arquibancadas em festa.
Aos 22 minutos da primeira etapa.
Cirene Portugal abre a contagem para as cariocas.
Golaço.
Pois é.
Quem pensava que as paulistas estavam derrotadas.
Não conheciam os dotes futebolísticos de Marli Marley.
No peito e na raça.
Marli empata aos 5 minutos da etapa final.
Marli que marca o gol da vitória cinco minutos depois.
Após penalidade máxima cometida por Iolanda Justi.
Iolanda que inocentemente pegou a bola com as mãos.
Dentro da área.
Fim de jogo?
Invasão de campo.
Revanche?
Duas semanas depois no Maracanã.
Após o valoroso elenco carioca.
Ser recepcionado no Aeroporto Santos Dumont pelo técnico Gentil Cardoso.
Uma vez Gentil, sempre gentil.
Pra botar ordem na casa?
Mario Vianna.
Afinal de contas, o popular Colé.
Árbitro da primeira partida foi agredido no final do jogo.





A seleção paulista achou que seria moleza.



Porém as cariocas tinham um trunfo.



Janete.



Artista de circo e artilheira.



Janete marcou os dois tentos da vitória: 2x0



Mas a dona do espetáculo foi a espetacular Conchita Mascarenhas.



Classe, suor e beleza na distribuição do jogo.



Conchita que era a própria Marilyn Monroe brasileira.



Conchita que ergueu a Taça ao final da peleja.



A Casa dos Atores ficou alegre.



Dois milhões de cruzeiros antigos nos cofres.



Um pouco de conforto para os artistas abandonados pela sociedade.



Porém, meus amigos.



A cena mais impressionante destes matches.



Aconteceu com o machão Mario Vianna – com dois N.



Mário Vianna, mestre de artes marciais da temível PE.



Mario Vianna que batia até na torcida.



Pois Mário Vianna apanhou na revanche do Maracanã.



E apanhou caladinho.



Que ele não era besta de reagir...




Por ROBERTO VIEIRA            


Lennon dizia, com toda razão.

Que as mulheres eram 'os negros' do mundo.

Vejam só.

Até no futebol foram torpedeadas na Inglaterra do pós primeira guerra.

O dia de hoje no Blog é dedicado a elas.

Evas.

Marias.

Eduardas.

Princesas, todas elas.

Pois toda menina é uma princesa.

Frase tão bela de um filme tão singelo quanto 'A Princesinha'.






Então.

É para as princesinhas deste mundo.

Apaixonadas ou não pelo futebol.

Que este dia é dedicado.

Desejando que o mundo continue mudando e mudando e mudando.

Tornando obsoletas as palavras de Lennon...

10 de out. de 2012





19 de ago. de 2012







Foi desses milagres do futebol.

Mundial Sub-20 no Japão.

A seleção brasileira feminina perdia da Itália nessa madrugada.

1-0 no placar.

Aos 50 minutos do segundo tempo.

Amanda empatou.

Resgatando o sonho de uma nova geração.

O Brasil que teve mais posse de bola.

Sofreu na marcação defensiva da Azzurra - jogando de branco.

A seleção brasileira.

Formada por seis atletas do Vitória-PE no elenco?

Renasce...

3 de ago. de 2012






Por ROBERTO VIEIRA


Eles nos deram o judô.

Eles nos deram o karatê.

Eles nos deram o pepino.

Pepino que se tornou alimento e gíria.

A gente mandou pra eles a bossa nova.

E recebeu o karaokê.

Além do walkman da Sony.

Quem nunca comeu yakisoba?

Quem nunca ouviu falar de sushi?

Quem nunca provou molho de soja?

Quem dos antigos não curtiu National Kid?

Quem dos adolescentes não curtiu Pokemon?

Pois é.

Em troca?

A gente também exportou Zico e cia.

E agora no futebol feminino.

Eles nos devolveram um shiokorate, non?



22 de mai. de 2012



Os primórdios do futebol feminino no Brasil.

1969.

Taubaté.

A equipe do Diocesano faz história.

Jogando com uma bola famosa.

Bola do jogo em que o Rei Pelé.

Meteu oito gols no Botafogo-SP.

O pontapé inicial desta partida?

Foi dado por Jose Poy, antigo goleiro do São Paulo.

Poy que seria técnico do tricolor nos anos 70...





22 de ago. de 2008





Por ROBERTO VIEIRA

Quis o destino, a milésima medalha de ouro dos EUA em Olimpíada viesse no futebol. Vencendo a seleção feminina do Brasil por 1 x 0.

Dona Geraldina ao ler a notícia filosofou que 'uns com tanto e outros com tão pouco...'

Mas não deixa de ser irônico que o futebol, esse centenário senhor de barba e bigode, tenha encontrado um lar entre as mulheres americanas. E que sejam justamente essas mulheres as responsáveis pela simbólica conquista.

Muitas delas cresceram no esteira do impulso dado ao esporte com a ida de Pelé para o Cosmos em 1975. Pelé, dono e senhor absoluto do milésimo gol no Maracanã em 1969.

Também por estranha ironia e destino, o futebol se nega a conceder uma medalha de ouro ao Brasil. Uma que seja. Como se Gérson, Falcão e Júnior fossem indignos do Olimpo.

Ontem o Rei Pelé deu a sua explicação para o nosso jejum de medalhas de ouro no futebol. Segundo o Rei, faltava Ele na seleção brasileira. Pelé que não jogou na Olimpíada de 1952 porque usava fraldas e não foi em 1956 porque já recebia dinheiro pra fazer gols.

Do mesmo modo, Garrincha, Didi e Leônidas não foram. Tinham que ganhar dinheiro pra se afastar da pobreza. E não vestiam farda e coturno como o Major Galopante.

Ousando discordar do Rei, o Brasil não ganha uma medalha de ouro no futebol masculino por indiferença.O jogador brasileiro prefere ser campeão paulista ou carioca a vencer uma Olimpíada. Olimpíada que pra ele é brinquedo de menino rico. Sonho de barão francês.


Já o futebol feminino não ganha uma medalha de ouro porque, no fundo no fundo, o brasileiro ainda acha que lugar de mulher é na beira do fogão, tomando conta de menino pequeno.

Pra que patrocínio? Pra que Liga Nacional?

E o Brasil segue sendo para muitos o país do futebol. O país do milésimo gol. O país de um só esporte.

Embora haja muito mais Cielos, Ademares e Maggis do que supõe a nossa vã filosofia balipodista...




21 de ago. de 2008





A derrota nos olhos do melhor jogador do mundo?

Eu já vi esse filme.

No dia 7 de julho de 1974. Um dia depois do meu aniversário.

Na sala da casa em Limoeiro eu via, incrédulo, as ondas de ataques holandeses arrebentando contra a muralha alemã.

Cruyjff correndo, correndo, correndo sem fugir da marcação de Berti Vogts.

O suor derrotando a arte.

Hoje foi o dia de Martha.

Vão dizer o de sempre.

Joga bonito, mas perde no final.

Como se uma menina nascida em Dois Riachos já não fosse uma vencedora por chegar tão longe de casa com uma bola nos pés.

O ser humano não perdoa o segundo lugar.

Mas desde aquele domingo de sol e chuva, uma verdade permanece incólume.

A derrota pode ser coberta de honra. Um berço de lágrimas. Um testemunho de luta.

Sendo assim, a derrota é uma medalha de ouro que carregamos pela vida afora.

Triste é a derrota servil. Essa derrota que acostuma o ser humano aos becos da vida, aos arredores da insignificância.

Essa derrota que alguns jogadores e algumas pessoas consideram corriqueira.

Tão corriqueira que se torna um hábito.

Hábito que faz o monge. Muitas vezes, vermelho e branco... Outras vezes sete anões.