Por ROBERTO VIEIRA
Tudo parecia calmo em Caruaru. Até que
rolaram as pedras. As organizadas pondo em polvorosa a Capital do Agreste. A
confusão reinante fez renascer o espírito de alguns juristas, eminentes figuras
públicas do nosso passado, que se revoltaram com a balbúrdia e guerrilha
impunes.
E eles decidiram meter o pitaco, dando algumas idéias para
ajudar nosso Pernambuco Imortal a sair desse sufoco...
O primeiro foi Tobias Barreto.
Sem meias palavras.
Tobias solicitou um favor aos clubes.
Não distribuir ingressos com as organizadas.
Em seguida falou Pontes de Miranda.
Em sua opinião.
Os clubes não deveriam financiar viagens das torcidas
organizadas.
Nem mesmo fornecer acolhida na própria sede.
Quem desejasse torcer?
Tirasse dinheiro do próprio bolso, ora bolas!
Pinto Ferreira preocupou-se com a força policial.
Como podemos ter segurança sem darmos total suporte a
polícia?
Sem permitirmos que a polícia atue.
Doa a quem doer?
Francisco de Paula Batista franziu a testa.
Aconselhou reforçar a cidadania do povo.
Combater a pobreza, a criminalidade e as drogas.
O jovem está à mercê dos professores do delito.
Por último.
Joaquim Nabuco pigarreou.
Coçou o bigode fatigado pelo tempo.
Lembrou de quando ia pro futebol.
Saindo lá da Rua da Imperatriz.
E Nabuco foi singelo e claro.
Senhores, já existe como desorganizar as organizadas.
No Código Penal.
Basta tipificar as organizadas no crime de formação de
quadrilha.
Aquelas que agem como quadrilhas.
Acabarão de uma vez por todas.
Os crimes que cercam o futebol são assim como a
escravatura.
E a violência, meus amigos.
É um abismo de miséria que não se pode sondar.
A noite chegou. Todos se recolheram ao silêncio. Enquanto
Rui Barbosa sorrindo, conhecedor profundo dos meandros da natureza humana, exclamava
na eternidade:
'Mas quem será dentre vós que vai botar o guizo no gato?'

Muito bom o texto,Roberto.
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