Válter
Leça divide com Manuelzinho e Manga as honras de maior goleiro
nascido em Pernambuco. Como se isso não fosse o suficiente, Leça
permanece como ícone na história do Sport Clube Bahia, cantado em
prosa e verso por ninguém menos que Gilberto Gil, seu fã
carteirinha.
A
história de Leça no América começa ainda criança. Filho de pai
inglês e mãe portuguesa, seus vinte e dois irmãos, entre os quais
Jorge, Harry, Eric, Cyril e Ralph heróis do time esmeraldino campeão
de 1927, sempre amaram o América. Quando os irmãos mais velhos
treinavam, Leça ficava à beira do campo, doido pra participar da
brincadeira. Um dia os irmãos deixaram o caçula entrar no gol. Com
meia hora de treino, Leça virou a sensação da família. Os chutes
vinham fortes, colocados, na cruzeta. O moleque franzino voava e
defendia como se fosse a coisa mais natural desse mundo.
Virou
notícia.
O
América andava órfão de Djalma, goleiro da seleção pernambucana,
que trocara o América pelo seu time de coração, o Náutico.
Campeão pernambucano em 1944, Leça se tornou maior que Pernambuco.
O Bahia não hesitou em vir buscar o paredão. E Leça brincou de ser
campeão na Bahia. Em 1955, Leça já atuava no Botafogo-BA, quando
foi chamado para reforçar seu ex-time, o Bahia, numa excursão a
Paraíba. A pedido do técnico Dante Bianchi, o diretor de futebol do
América, Amândio Fernandes, deu uma chegada
em Campina Grande e propôs a volta de Leça ao antigo lar. Leça,
cansado da vida de cigano, topa, retornando ao seu primeiro amor. Com
o sim de Leça, Pernambuco vira território de grandes goleiros. O
Sport tem Osvaldo Balisa e Manga, o Santa Cruz vem com Barbosa,
vice-campeão mundial em 1950, o Náutico conta com os eternos
Manuelzinho e Vicente.
Após
início espetacular, Leça observa a carreira de Moacir Barbosa em
Pernambuco ter fim da noite pro dia. A derrota por 6 a 3 do Santa
Cruz diante do América impõe fim ao casamento do arqueiro paulista
com o tricolor do Arruda. Pouco depois, chega a hora de Leça. O
América perde por 7 a 3 do Náutico e Leça é acusado de ter se
vendido aos alvirrubros. A diretoria multa o ídolo em 60% do
salário. Leça perambula de clube em clube. Encerra sua carreira
triste e abandonado, tentando vaga no Íbis, nos anos 60.
Leça
permanece como a maior injustiça perpetrada na história do América
Futebol Clube.
Página
nunca resgatada pelos herdeiros do clube.

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