2 de fev. de 2013






Por ROBERTO VIEIRA           




11 de maio de 1930.

O país estava sentado sobre um barril de pólvora.

O velho tinha seus dias contados.

O novo nem era tão novo assim.

Ganso era apenas uma ave.

João Pessoa e João Dantas inimigos feudais.

Mussolini passeava na Toscana.

Dr. Jordão Chaves tratava sífilis e gonorréia.

Grandes preocupações dos homens de então.

O cine Odeon exibia ‘Mulher Singular’.

O cine Avenida ‘Os Dez Mandamentos’.

Clodoaldo já jogava no Santos.

Santos que recebeu em casa o São Paulo.

São Paulo de Luisinho e Siriri.

São Paulo de Friedenreich.

Athiê franziu as sobrancelhas.

O ataque tinha Camarão e Evangelista.

Jogava por música nos pés de Strauss.

Quinze minutos.

A bola milagrosamente beija as traves de Athiê.

E Luisinho empurra para o barbante.

O primeiro gol do primeiro Sansão.

E o primeiro tempo se encerra em 1x0.

Camarão empata no início da segunda etapa.

Siriri deixa o tricolor em vantagem.

O estádio lotado se agita.

Mas o Santos tinha o feitiço de Feitiço.

Os jornais anunciam o empate em 2x2.

Pelé não existia.

Sastre e Raí também não.

Ninguém imaginaria os cinco títulos mundiais.

Os bambas?

Eram Palestra e Corinthians.

Dalila?

Brincava de boneca...

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