Por ROBERTO VIEIRA
A notícia chegou à prisão.
Acharam o culpado.
Olhares atravessados.
Ar rarefeito.
Manuel Maria pigarreou num canto e volta a dormir.
O telefone toca.
Eva atende.
Do outro lado da linha, o pedido.
Foi tudo sem querer.
Coisas da idade.
Vagando a curva terra, o mar profundo.
Longe da Pátria, longe da ventura.
O corpo é sepultado diante da multidão.
Suspira pela paz da sepultura.
Paz não há.
Há entrevista.
Não pode ser extraditado.
A emenda em cadeia nacional.
Importuna razão não me persiga.
Liberdade, onde estás?
Milhares sonham com o perdão.
Manuel Maria acorda.
Sorri aos companheiros de infortúnio no quadrado infecto.
Manuel que sentencia iroso.
Bocage quechua.
Que seja verdade a tal emenda.
Pois até no futebol.
A emenda pode sair pior que o soneto.


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