31 de jan. de 2013






Por ROBERTO VIEIRA              



Por onde devo começar?

Nunca use vinho.

Sozinho, na mesa de um bar em Casablanca ou em casa mesmo,

o vinho vai te fazer lembrar.

E lembre!

Você deseja esquecer.

Desligue o celular.

Pode até jogá-lo no mar abissal,

senão,

cada vez que ele tocar,

você vai imaginar que é Ela.

Conhaque no frio.

Um chope gelado em Copacabana ao som de Lígia,

depois caminhe até o Leblon imaginário.

Ladeiras de Olinda e Recife Antigo também servem.

Nada de 'Yesterday' ou 'As time goes by'.

Esqueça que Aznavour existe... nada de tangos e chansons.

O que?

Você caminhou até a porta do edifício dela,

pensou em interfonar,

comprou um buquê de flores?

Desista.

Lembre que ela não te ama mais.

Você sabe disso, no fundo já sabe faz muito tempo,

cada segundo de recaída são semanas a mais de convalescença.

Pode chorar.

Homens não são feitos de pedra e concreto,

ao contrário do que jurava seu pai.

Chore o quanto quiser na rede da varanda,

enquanto assiste um filme antigo,

arriscando poemas numa folha de papel amassado.

O tempo corre a seu favor.

Aliás, desculpe por não te dizer inicialmente.

O tempo é seu único amigo neste momento.

Apenas o tempo alivia esta ferida no seu coração.

Cura?

É mais difícil, meu camarada!

Há de se jogar fora a melancolia.

Há de se aceitar nosso destino.

Há de se voltar a ser menino.

Há de se dizer adeus milhares de dias.

Pois apenas um novo amor,

um amor feito de sonho e esperança,

te fará esquecer um grande amor...  


* Resposta ao meu grande amigo T...


0 comentários:

Postar um comentário

Comentários