Por ROBERTO VIEIRA
Por onde devo começar?
Nunca use vinho.
Sozinho, na mesa de um
bar em Casablanca ou em casa mesmo,
o vinho vai te fazer
lembrar.
E lembre!
Você deseja esquecer.
Desligue o celular.
Pode até jogá-lo no
mar abissal,
senão,
cada vez que ele tocar,
você vai imaginar que
é Ela.
Conhaque no frio.
Um chope gelado em
Copacabana ao som de Lígia,
depois caminhe até o
Leblon imaginário.
Ladeiras de Olinda e
Recife Antigo também servem.
Nada de 'Yesterday' ou
'As time goes by'.
Esqueça que Aznavour
existe... nada de tangos e chansons.
O que?
Você caminhou até a
porta do edifício dela,
pensou em interfonar,
comprou um buquê de
flores?
Desista.
Lembre que ela não te
ama mais.
Você sabe disso, no
fundo já sabe faz muito tempo,
cada segundo de recaída
são semanas a mais de convalescença.
Pode chorar.
Homens não são feitos
de pedra e concreto,
ao contrário do que
jurava seu pai.
Chore o quanto quiser
na rede da varanda,
enquanto assiste um
filme antigo,
arriscando poemas numa
folha de papel amassado.
O tempo corre a seu
favor.
Aliás, desculpe por
não te dizer inicialmente.
O tempo é seu único
amigo neste momento.
Apenas o tempo alivia
esta ferida no seu coração.
Cura?
É mais difícil, meu
camarada!
Há de se jogar fora a
melancolia.
Há de se aceitar nosso
destino.
Há de se voltar a ser
menino.
Há de se dizer adeus
milhares de dias.
Pois apenas um novo
amor,
um amor feito de sonho
e esperança,
te fará esquecer um
grande amor...
* Resposta ao meu grande amigo T...

0 comentários:
Postar um comentário
Comentários