Por ROBERTO VIEIRA
Não sei se foi na guerra.
Guerra tem o dom de transformar nosso país em Éden
irracional.
Sabiá vira ave do paraíso.
O time da esquina vira o melhor time do planeta.
Copacabana deságua em Cachoeiro do Itapemirim.
Não sei se foi no tempo em que dividia o apartamento com
Graciliano.
Getúlio brincando de prender os dois.
Era conde e passarinho entre morros de isolamento.
Morreu só.
Chamou os amigos, abraçou a todos e morreu só.
Pois para todos os problemas existe uma solução: a morte.
Amou demais.
Amou tanto que esqueceu da exclusividade.
Mas amou com aquela verdade que só sentem os calados e
apaixonados.
Verdade.
Houve Armando e Nelson.
Armando e Nelson que amavam o futebol.
Amavam tanto que é quase uma mentira o título lá em cima.
Quase apenas.
Pois no universo de Rubem Braga.
O quase é um porão na velha casa verde da infância.
Um porão onde brotam romancistas introvertidos.
E cronistas que amam o futebol.

Sobre a vida – e principalmente as circunstâncias que cercaram a a morte de Rubem Braga – vale a pena ler este excelente texto do mauro santayana, do Jornal do Brasil:
ResponderExcluirhttp://www.maurosantayana.com/2013/01/rubem-e-o-poder.html