12 de jan. de 2013







Por ROBERTO VIEIRA   


Não sei se foi na guerra.

Guerra tem o dom de transformar nosso país em Éden irracional.

Sabiá vira ave do paraíso.

O time da esquina vira o melhor time do planeta.

Copacabana deságua em Cachoeiro do Itapemirim.

Não sei se foi no tempo em que dividia o apartamento com Graciliano.

Getúlio brincando de prender os dois.

Era conde e passarinho entre morros de isolamento.

Morreu só.

Chamou os amigos, abraçou a todos e morreu só.

Pois para todos os problemas existe uma solução: a morte.

Amou demais.

Amou tanto que esqueceu da exclusividade.

Mas amou com aquela verdade que só sentem os calados e apaixonados.

Verdade.

Houve Armando e Nelson.

Armando e Nelson que amavam o futebol.

Amavam tanto que é quase uma mentira o título lá em cima.

Quase apenas.

Pois no universo de Rubem Braga.

O quase é um porão na velha casa verde da infância.

Um porão onde brotam romancistas introvertidos.

E cronistas que amam o futebol.

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Um comentário:

  1. Sobre a vida – e principalmente as circunstâncias que cercaram a a morte de Rubem Braga – vale a pena ler este excelente texto do mauro santayana, do Jornal do Brasil:
    http://www.maurosantayana.com/2013/01/rubem-e-o-poder.html

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Comentários