Não
foi a maior derrota da história alvirrubra. Em 1917, o Clube Náutico
Capibaribe caiu por 10 a 0 diante da Associação Atlética Palmeiras
em visita ao Recife. Mas os 10 a 1 do dia 28 de abril de 1918
permanecem gravados na memória estatística do nosso estado. Tanto
que o jogo marca a despedida do arqueiro Nélson e do
zagueiro-central Guilherme, ambos marcados pelo desastre.
O
jogo histórico era estreia das duas equipes no certame de 1918. O
América vivia a dúvida sobre a escalação de Bermudes, Peres e
Alexis, craques que desembarcaram em Pernambuco no dia 5 de março
daquele ano. Segundo regulamento vigente, no artigo 87, parágrafo
único, só poderiam atuar no campeonato atletas residentes no estado
há pelo menos dois meses. Contratados a peso de ouro no sul do país
em tempos de amadorismo, os três jogadores caíram como luva na
poderosa esquadra de Zé Tasso, deixando o tal regulamento sem
validade.
O
campo da Ponte D'Uchoa estava lotado. Presença feminina incomum
naqueles tempos. O América jogara amistoso contra o Flamengo-PE,
porém a equipe se ressentiu do entrosamento necessário para encher
os olhos dos torcedores. Agora, o jogo valia dois pontos e o Náutico
resistiu exatos oito minutos. Então, um tiro de trinta metros de
Monteath entrou no ângulo do arqueiro Nélson. Foi a senha do
massacre. Bermudes e Alexis mandavam no gramado, mas é Sigismundo
quem dribla Barbosa Lima e finaliza para as redes aos 16 minutos:
América 2 a 0.
Zé
Tasso dá o ar de sua graça marcando o terceiro aos 21, Karl anotou
o quarto aos 23 e Lopes fez placar de meia aos 30 minutos da primeira
fase. Todos os jogadores do ataque deixando sua assinatura nas redes
alvirrubras. Poderia ficar por isso mesmo, mas o segundo tempo traz o
Náutico abatido e o América disposto a demonstrar que vinha para
ser campeão. Em cinco minutos, Sigismundo, Zé Tasso e Monteath
elevam o escore para 8 a 0. foi quando um free-kick alvirrubro
é defendido por Alexis com a cabeça; a bola sobra para Ivan que
consegue a proeza de marcar o gol de honra Timbu.
O
resultado deixava o América empatado em número de gols com o Sport
na liderança do campeonato. Sabendo disso, Zé Tasso e Soares marcam
o nono e o décimo gol da partida. Nélson acaba o jogo realizando
vinte e uma defesas milagrosas segundo os jornais da época.
Foi
o maior revés da história alvirrubra em estaduais. Sinal dos
tempos, em toda a partida o América cometeu sete faltas e o Náutico,
duas. Jogo limpo, disputado na bola.
A
goleada caminhava para ser triste recordação quando, na estreia do
Náutico como dono do campo dos Aflitos, no dia 18 de agosto de 1918,
alguém decide convidar o América para o tira-teima. A ideia foi
péssima, o América venceu por 3 a 0 com absoluta tranquilidade,
puxando até o freio de mão pra não exagerar na dose na festa do
adversário.
Aliás,
detalhe importante, desde o primeiro Clássico da Técnica e da
Disciplina, como é chamado o encontro entre as duas equipes,
disputado em 1916, o América só veio a conhecer derrota ante seu
rival no distante 20 de setembro de 1925. Durante os nove anos que
durou o tabu, o Náutico jogou treze partidas contra os esmeraldinos
amargando doze derrotas e um mísero empate, comemorado como se fosse
a conquista de um Hexacampeonato.

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