Antes
do início da temporada de 1938, o América parecia imbatível. Desde
1927 sem levantar título estadual, os dirigentes anunciaram o
supertime composto com Waldyr, Airton e Valença, profissionais
vindos do América carioca; o célebre arqueiro Pedro e o craque Zuza
do Central; Zeorlando do Santa Cruz, além de Popó e Duda, estrelas
do Íris.
Diante
do temor provocado nos adversários, o clube da Estrada do Arraial é
batizado antecipadamente como ‘Esquadrão de Aço’. E havia mais
um detalhe para apagar de vez os insucessos da década. Uma novidade
exótica pra quem amava o América. O time agora jogaria de vermelho,
como o padrinho carioca.
Quem
não gostou da notícia foram os antigos dirigentes do Torre,
alvirrubro, licenciado da Federação, que chegaram a escrever um
ofício ao órgão máximo do nosso futebol reclamando do fato em
nome da tradição.
Bola
que rola, os atletas cariocas chegam ao Recife a bordo do Oceania.
Festa e fanfarras são seguidas por treino secreto. A cidade em
polvorosa aguarda o primeiro jogo contra o Tramways. A goleada por 4
a 2 confirma as melhores expectativas.
Em
seguida, vem a conquista do Torneio Início.
O
América em seus trajes vermelhos passa na primeira rodada pelo
Flamengo, no dia 27 de março de 1938. Juntamente com o América se
classificam o Santa Cruz, o Sport e o Great Western. Uma semana
depois ocorrem as finais e o América é campeão.
O
América era cada vez mais favorito em todas as rodas para ser o
campeão estadual de 1938 quando a receita desandou. Estreia no
estadual diante do Santa Cruz e primeiro sinal de alerta: vitória e
goleada tricolor com show de Tará. O clima pesa, a indisciplina come
no centro, um novo técnico é contratado, uma excursão ao Ceará
organizada resulta em fiasco histórico.
O
campeonato pernambucano prossegue e derrotas se sucedem. O supertime
rubro de 1938 entra para a história como um fracasso. Vermelho?
Nunca mais. Porque o América não precisava ir tão longe para
montar um esquadrão. Bastava olhar com carinho para os seus juvenis,
campeões do Torneio Início de 1938. Relegados ao segundo plano pelo
suposto supertime de vermelho.

Caro Roberto, onde posso obter mais informações a respeito desse time de 38? Meu avô, Zeorlando, fez parte desse time, e segundo consta também jogou em 39 pelo Náutico. Além dos campeonatos de 34 e 35 pelo Santa, campeão pernambucano neste último. Saudações alvirrubras!
ResponderExcluirJosé Artur (joseartur10@yahoo.com.br)
Mestre José Arthur, nos livros do MDM Givanildo Alves e nos jornais da época. Uma boa fonte de pesquisa e leitura será a Biblioteca da FPF que será inaugurada no dia 27 deste mês...
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