12 de nov. de 2012








Antes do início da temporada de 1938, o América parecia imbatível. Desde 1927 sem levantar título estadual, os dirigentes anunciaram o supertime composto com Waldyr, Airton e Valença, profissionais vindos do América carioca; o célebre arqueiro Pedro e o craque Zuza do Central; Zeorlando do Santa Cruz, além de Popó e Duda, estrelas do Íris.

Diante do temor provocado nos adversários, o clube da Estrada do Arraial é batizado antecipadamente como ‘Esquadrão de Aço’. E havia mais um detalhe para apagar de vez os insucessos da década. Uma novidade exótica pra quem amava o América. O time agora jogaria de vermelho, como o padrinho carioca.
Quem não gostou da notícia foram os antigos dirigentes do Torre, alvirrubro, licenciado da Federação, que chegaram a escrever um ofício ao órgão máximo do nosso futebol reclamando do fato em nome da tradição. 

Bola que rola, os atletas cariocas chegam ao Recife a bordo do Oceania. Festa e fanfarras são seguidas por treino secreto. A cidade em polvorosa aguarda o primeiro jogo contra o Tramways. A goleada por 4 a 2 confirma as melhores expectativas.

Em seguida, vem a conquista do Torneio Início.

O América em seus trajes vermelhos passa na primeira rodada pelo Flamengo, no dia 27 de março de 1938. Juntamente com o América se classificam o Santa Cruz, o Sport e o Great Western. Uma semana depois ocorrem as finais e o América é campeão.

O América era cada vez mais favorito em todas as rodas para ser o campeão estadual de 1938 quando a receita desandou. Estreia no estadual diante do Santa Cruz e primeiro sinal de alerta: vitória e goleada tricolor com show de Tará. O clima pesa, a indisciplina come no centro, um novo técnico é contratado, uma excursão ao Ceará organizada resulta em fiasco histórico.

O campeonato pernambucano prossegue e derrotas se sucedem. O supertime rubro de 1938 entra para a história como um fracasso. Vermelho? Nunca mais. Porque o América não precisava ir tão longe para montar um esquadrão. Bastava olhar com carinho para os seus juvenis, campeões do Torneio Início de 1938. Relegados ao segundo plano pelo suposto supertime de vermelho.



2 comentários:

  1. Caro Roberto, onde posso obter mais informações a respeito desse time de 38? Meu avô, Zeorlando, fez parte desse time, e segundo consta também jogou em 39 pelo Náutico. Além dos campeonatos de 34 e 35 pelo Santa, campeão pernambucano neste último. Saudações alvirrubras!

    José Artur (joseartur10@yahoo.com.br)

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    1. Mestre José Arthur, nos livros do MDM Givanildo Alves e nos jornais da época. Uma boa fonte de pesquisa e leitura será a Biblioteca da FPF que será inaugurada no dia 27 deste mês...

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Comentários