11 de nov. de 2012



DJALMA, O PAREDÃO



O Santa Cruz era tricampeão pernambucano. Time de estrelas. O goleiro Dadá fechando o arco, o futuro árbitro Sherloque espanando tudo na zaga, o talento de Jaime no meio campo, os gols de Tará e a habilidade de Sidinho no ataque. De quebra, havia o Tramways, definitivamente ingressando no profissionalismo, com Bermudes atuando de center-half.

Já o América vendera o campo da Jaqueira para o Tramways, apostando numa mudança de sede que se revelaria desastrosa. Tudo por causa de alguns trocados. A torcida e os jogadores estavam se sentindo sem-teto naquele 1936 – logo eles que tinham tudo de bom no passado. A diretoria achou pouco e mandou o segundo time a campo no Torneio Início. Mas quem tinha Djalma no gol, Alemão na zaga, Lula e Seixas no ataque, sempre tem direito a sonhar.

De saída,o América bateu o poderoso Tramways por 1 a 0. A sorte apontou América e Sport como segundo jogo. O América largou na frente com um córner. O Sport empatou. Tensão no ar. A zaga rubro-negra acorda com um rush irresistível de Lula que estufa as redes rubro negras: América 1 a 0.

O Santa Cruz marcha célere rumo ao título. Desclassifica o Íris e detona o Flamengo. Tará , célebre artilheiro tricolor, acha graça na final contra o América - até começar o jogo. Naquela que foi a partida mais eletrizante da história do Torneio Início, o tempo normal termina empatado em 2x2. O América leva a taça pra casa com a vantagem de um córner na prorrogação.

Durante muito tempo, a garotada repetia nas ruas do Recife o nome dos heróis daquela tarde: Djalma; Abelardo e Alemão; Casado, Enedino e Vadinho; Lula, Seixas, Vavá, Aloísio e Wilson.

Um time reserva dos sonhos, com destaque para o excepcional arqueiro Djalma Christiano Gomes que se consagraria na defesa do Náutico, campeão estadual em 1939 e da seleção pernambucana sob o comando do técnico Adhemar Pimenta.



Um comentário:

  1. Caro Roberto, teria a escalação do Santa dessa final? Grato!

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Comentários