8 de nov. de 2012








O jornal Estado do Pará acabara de ser empastelado sob as ordens do Governador Dionysio Bentes. A Sra. Florence Kapp, primeira mulher a exercer o cargo de secretario de estado em Nova York, estava sendo acusada do desvio de cento e noventa e sete mil dólares de fundos pertencentes ao Tesouro americano. O América sonha reaver a supremacia do futebol pernambucano. Depois do tricampeonato rubro-negro, muita gente dizia que o clube da Jaqueira não era de nada.

Foi assim que no dia 13 de maio, o América deu a largada no sonho de conquistar seu quinto título estadual, empatando em 1 a 1 contra o Santa Cruz. A sensação da partida foi a participação, no alviverde, do grande arqueiro Ilo Just, lenda coral, diante do seu antigo clube. Na sequencia, o América passou pelo Náutico, Torre e Equador sem tomar nenhum gol – fato quase inacreditável naqueles anos de futebol ofensivo - Ilo justificando, sem trocadilho, a sua contratação.

No dia 17 de julho, o Coronel Seixas inaugura as arquibancadas do Estádio da Jaqueira, futuro palco das exibições da seleção brasileira em Recife no ano de 1934. Em campo, o América empata em 1 a 1 com o CSA, José Tasso recordando a lição aprendida em Alagoas na excursão de 1923. Apesar do timaço montado para ser campeão, o certame estadual muitas vezes surpreende os favoritos; em duas rodadas dantescas, o América perde por 3 a 2 para o Flamengo e por 2 a 0 para o Sport. O Coronel Seixas chama o grupo às falas e promete: “O América não perde mais!”
O América dá o troco no Sport por 3 a 0, goleia o Flamengo por 4 a 0 e deixa o Santa Cruz na saudade por 2 a 0.
O último obstáculo é o Torre na última rodada, 22 de janeiro de 1928, a equipe esmeraldina escalada com Ilo; George e Gandra; Deoclécio, Gama e Casado; Meira, Eric, Tasso, Ralf e Moacyr. Na defesa, o arqueiro Ilo Just, ídolo do Santa Cruz, justificando ser a grande contratação da temporada ao lado do zagueiro uruguaio Gandra, o qual também era o técnico da equipe, antecipando-se a chegada do treinador cisplatino Umberto Cabelli ao Clube Náutico Capibaribe nos anos 30. No ataque, o veterano Zé Tasso, fundador do João de Barros, prestes a se tornar pentacampeão pernambucano, continuando a marcar gol em cima de gol. O juiz Alcindo Wanderley, jogador do Flamengo, foi escalado para apitar o prélio e não compareceu. Durante quinze minutos as equipes confabularam sobre quem seria o novo apitador. Decidiram por Pitota, atleta do Santa Cruz.

Em campo, cenas de pugilato entre atletas resultaram na expulsão de quatro atletas: Meira e Casado do campeão do centenário e Hermínio e Osvaldo do Torre. Jogando com autoridade, na bola e na pancada, o América triunfou por 2 a 1. Na tribuna do estádio da Jaqueira, o Coronel Seixas sorria satisfeito.

Promessa feita, promessa cumprida.

Como detalhe, fato corriqueiro naqueles anos de paixão pelo clube e pelo futebol, nada menos que cinco jogadores do América eram irmãos. Ralf, Harry, Eric, Cyril e Jorge, filhos do saudoso Ernesto Leça. Além deles, havia também Deoclécio, filho adotivo de Ernesto.




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