O
jornal Estado do Pará acabara de ser empastelado sob as ordens do
Governador Dionysio Bentes. A Sra. Florence Kapp, primeira mulher a
exercer o cargo de secretario de estado em Nova York, estava sendo
acusada do desvio de cento e noventa e sete mil dólares de fundos
pertencentes ao Tesouro americano. O América sonha reaver a
supremacia do futebol pernambucano. Depois do tricampeonato
rubro-negro, muita gente dizia que o clube da Jaqueira não era de
nada.
Foi
assim que no dia 13 de maio, o América deu a largada no sonho de
conquistar seu quinto título estadual, empatando em 1 a 1 contra o
Santa Cruz. A sensação da partida foi a participação, no
alviverde, do grande arqueiro Ilo Just, lenda coral, diante do seu
antigo clube. Na sequencia, o América passou pelo Náutico, Torre e
Equador sem tomar nenhum gol – fato quase inacreditável naqueles
anos de futebol ofensivo - Ilo justificando, sem trocadilho, a sua
contratação.
No
dia 17 de julho, o Coronel Seixas inaugura as arquibancadas do
Estádio da Jaqueira, futuro palco das exibições da seleção
brasileira em Recife no ano de 1934. Em campo, o América empata em 1
a 1 com o CSA, José Tasso recordando a lição aprendida em Alagoas
na excursão de 1923. Apesar do timaço montado para ser campeão, o
certame estadual muitas vezes surpreende os favoritos; em duas
rodadas dantescas, o América perde por 3 a 2 para o Flamengo e por 2
a 0 para o Sport. O Coronel Seixas chama o grupo às falas e promete:
“O América não perde mais!”
O
América dá o troco no Sport por 3 a 0, goleia o Flamengo por 4 a 0
e deixa o Santa Cruz na saudade por 2 a 0.
O
último obstáculo é o Torre na última rodada, 22 de janeiro de
1928, a equipe esmeraldina escalada com Ilo; George e Gandra;
Deoclécio, Gama e Casado; Meira, Eric, Tasso, Ralf e Moacyr. Na
defesa, o arqueiro Ilo Just, ídolo do Santa Cruz, justificando ser a
grande contratação da temporada ao lado do zagueiro uruguaio
Gandra, o qual também era o técnico da equipe, antecipando-se a
chegada do treinador cisplatino Umberto Cabelli ao Clube Náutico
Capibaribe nos anos 30. No ataque, o veterano Zé Tasso, fundador do
João de Barros, prestes a se tornar pentacampeão pernambucano,
continuando a marcar gol em cima de gol. O juiz Alcindo Wanderley,
jogador do Flamengo, foi escalado para apitar o prélio e não
compareceu. Durante quinze minutos as equipes confabularam sobre quem
seria o novo apitador. Decidiram por Pitota, atleta do Santa Cruz.
Em
campo, cenas de pugilato entre atletas resultaram na expulsão de
quatro atletas: Meira e Casado do campeão do centenário e Hermínio
e Osvaldo do Torre. Jogando com autoridade, na bola e na pancada, o
América triunfou por 2 a 1. Na tribuna do estádio da Jaqueira, o
Coronel Seixas sorria satisfeito.
Promessa
feita, promessa cumprida.
Como
detalhe, fato corriqueiro naqueles anos de paixão pelo clube e pelo
futebol, nada menos que cinco jogadores do América eram irmãos.
Ralf, Harry, Eric, Cyril e Jorge, filhos do saudoso Ernesto Leça.
Além deles, havia também Deoclécio, filho adotivo de Ernesto.

Que fantástico registro!
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