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| VATICANO, 1945 |
O papa Pio XII observa da sacada.
Quatro soldados estrangeiros em solo sagrado.
O silencio do Papa atravessara a Guerra como uma absolvição dos pecados alemães. Pio XII imaginou a Santa Sé destruída. Escombros, fogo, destruição e o fim do cristianismo sob seu governo.
O Vaticano era uma invenção fascista. O Tratado de Latrão celebrara a paz entre os papas e o regime de Mussolini. A Igreja ressurgia com um pequeno território encravado na Cidade Eterna. Outrora potência militar, restava comemorar os dedos e o adeus dos anéis.
Rigoberto observa a vastidão dos muros da Basílica. Sob seus pés repousa Pedro. A guerra se encaminha para seu final. Os leões e os cristãos fingem esquecer seu Coliseu. Mas na Itália a luta prossegue. Comunistas embalam o sonho de dominar toda a península. Transformar a Sé em terreno da foice e do martelo.
Mas o Papa não era culpado pela barbárie européia. Isolado e refém do Duce e do Fuhrer, Sua Santidade esteve a um passo de ser eliminado como parte da Solução Final. Mesmo assim, em 1943, seu discurso pediu pelos judeus em Holocausto. Os nazistas ameaçaram com o cadafalso. Os americanos ameaçaram com o bombardeio. Apenas a negociação dura e fria impedira um desastre de proporções inimagináveis.
Rigoberto fica sério.
O Papa solicitou que as tropas brasileiras visitassem o Vaticano.
O Pontífice desejava abençoar os pracinhas.
Aqueles homens de uma terra onde a Igreja ainda era começo, meio e fim.
Rigoberto faz o sinal da cruz.
Cumpriu o seu dever com honra.
Hora de voltar para casa.
O Papa segue enfraquecido no cargo.
Os jornais começam a denomina-lo 'O Papa de Hitler'.
E a tarde cai sobre o Tibre...

Belo texto, Roberto. Grande texto, bem explicativo. Não sabia esse descaso do Vaticano. Não a este ponto. Sei que foram indiferentes e/ou pouco alardearam, mas não desta forma.
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