1943.
Uma notícia triste atinge Rigoberto. Sem mais nem menos, ele é transferido para Campo Grande, no distante Mato Grosso. Antes que a transferência seja concluída, e por um golpe do destino, Rigoberto é enviado para Recife onde trava contato com o Capitão Reinaldo de Oliveira Reis, comandante da Companhia de Guardas.
Reinaldo é considerado osso duro de roer, um militar extremamente exigente no confronto com os subordinados. No entanto, Rigoberto descobre que o Comandante é pessoa de fino trato e seu rigor era apenas o rigor da lei.
A viagem de Rigoberto até Campo Grande revela a geografia de um país continental e desprovido de comunicações entre suas diversas regiões. O trajeto obrigatório por terra se justificava, porém: os submarinos alemães infestavam as águas territoriais brasileiras.
Rigoberto recebe o aviso para viajar pela rede ferroviária até Rio Branco, atual Arcoverde. O trem sai às cinco da manhã e chega em Rio Branco no final da tarde. Lá estavam as tropas que seguiriam até Campo Grande passando por Petrolina. A viagem foi tenebrosa pelo sertão até Petrolina e durou três dias de rios transbordando, lama, deserto e comida improvisada.
Petrolina era na época uma cidade pequena sem local para dormir. Dali a viagem iria prosseguir pelo Rio São Francisco no navio Rio Branco, movido à roda d'água e com lotação acima do permitido. O próximo destino era Pirapora, Minas Gerais de onde partiria o trem até São Paulo.
Pena que o trem que Rigoberto pegou para chegar em São Paulo foi dar no... Rio de Janeiro. Quem salvou a situação foi o fato da existência de um tio de Rigoberto que morava na Tijuca, no Distrito Federal.
De bolsa de couro na mão com as iniciais R.S., Rigoberto chegou na casa do Tio Abdias e de sua esposa, Dona Laura, às quatro da tarde. Recepcionado por Laura, Rigoberto se apresenta como o filho de João Alfredo. A alegria foi grande no reencontro. Tio Abdias era advogado, procurador, professor e tinha sete filhos.
No dia seguinte, Rigoberto foi correndo se apresentar no Quartel General, ao Coronel Ademar Queiroz, chefe da quinta seção.
O medo?
Ser considerado desertor.
A esperança?
Com uma carta do governador da Paraíba, Rigoberto iria tentar uma mudança no destino.
Quem sabe alguém não queria seguir viagem para Campo Grande em seu lugar?
No Quartel General, Rigoberto descobre que havia sido transferido por conveniência militar. Como recebera ajuda de custo, estava obrigado a se apresentar em Campo Grande. Pegando um ônibus, nosso herói viaja por Bauru e Cuiabá até Campo Grande.
Excelente militar, Rigoberto demorou 45 dias em Campo Grande.
O Exército tinha outros planos para ele...

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