2 de out. de 2012



Campina Grande nos anos 30/40 já era terra pujante que dominava o sertão paraibano. Sob a administração do prefeito Vergniaud Wanderley, um surto desenvolvimentista toma conta da cidade, segundo exportador algodoeiro mundial, atrás apenas da inglesa Liverpool.

Antes da vitória de Vergniaud nas eleições municipais sobre o arcaico Lafaiete Cavalcanti, a gente elegante e a nata da sociedade local fazia seu footing na Rua Maciel Pinheiro, visitava o Gabinete de Leitura Sete de Setembro, celebrava a vida nos diversos cafés e cinemas das suas imediações.

Mas Vergniaud decidiu mudar a Rua Maciel Pinheiro. Campina Grande assistiria extasiada um conjunto de obras inédito para os padrões nordestinos. Vergniaud  era assim como um JK paraibano, pleno de planos e ambições. Na esquina da Maciel Pinheiro com Floriano Peixoto nasceu um moderno hotel com quatro pavimentos. O Pavilhão Epitácio Pessoa, sede das confabulações da República Velha cede lugar à Livraria Pedrosa, reduto dos novos pensadores políticos. Por fim, a estátua de João Pessoa foi retirada da praça do mesmo nome em prol de um novo tempo.

Porém, nem tudo era progresso na Paraíba dos anos 40. Nesta época e território febril, localizava-se o 40º BC onde foi servir Rigoberto Souza. Nosso herói não teve tempo para avaliar a mudança urbanística local. Logo que foi chegando, teve a sua espera a participação em um inusitado pelotão de fuzilamento - talvez o único no Brasil do século XX.

Tudo começou quando um sargento briga no baixo meretrício e esculacha com o Comandante do 40º BC. O Comandante manda dar um pau no brigão, conhecido como Valdir Borborema. Borborema havia sido incorporado na marra, a cabeça raspada a força. Preso, Borborema se recusou a falar durante o depoimento. O Comandante não se fez de rogado. Mandou formar dois batalhões dando ordem de fuzilamento a Valdir Borborema. Na reserva de armamento, o pelotão carregou em cada fuzil uma bala normal e outra de festim. Madrugada em pé.


Valdir Borborema não arreda o pé nem abre a boca. 

Rigoberto imagina que vai matar o primeiro homem na sua vida.

Na última hora, chega a contra ordem do Comandante, já satisfeito com o suto que pregara no tal de Borborema.

O tenente manda recolher o pessoal.

Quando Rigoberto pensa que o pior já passou, nova missão.

Vigiar 600 tonéis de gasolina de aviação. Todos com algum tipo de vazamento e prontos a explodir ao menor sinal de fagulha...


Campina Grande, anos 40 - Mestre Rigoberto é o primeiro à esquerda



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