Por JOSÉ RENATO SANTIAGO, MDM
“1975...
Semifinais da Liga Suburbana do Ceará...
Floresta e Vila União decidem uma vaga para a final na decisão por pênaltis.
Na cobrança, o meio volante alviverde do Floresta se prepara para a cobrança decisiva.
Respira fundo e... goooollll.... Floresta na final.”
Era assim que meu tio Silvio costumava contar e recontar seu maior momento como jogador.
Certamente seu papel junto ao futebol amador cearense foi infinitamente maior.
Ainda nos anos de 1970 passou a ser técnico do Floresta Esporte Clube.
Time criado por um sonho de seu pai, Felipe de Lima Santiago, que queria incentivar seus filhos a praticarem esporte, o Floresta se tornou a “cara” do bairro Vila Manoel Sátiro.
Bairro de pessoas simples e humildes que creditavam no Floresta uma forma de mostrar para toda a cidade que ali havia um centro de excelência, no caso através do futebol.
O Floresta se tornou sob o comando de Silvio, a maior equipe de todos os tempos no futebol amador do estado do Ceará.
Campeão estadual em inúmeras oportunidades e bancado pela aposentadoria de seu pai, Felipe, ex funcionário de uma empresa inglesa, onde trabalhou por quase 50 anos, o Floresta fez história.
Foram inúmeros os jogadores descobertos por Silvio, que eram repassados para as equipes profissionais em troca de bolas, redes e uniformes.
Muitos deles sem quaisquer perspectivas na vida, jogavam no Floresta e estudavam no Colégio Henriqueta Galeno, entidade municipal, construída em terreno doado por Noelzinda, mãe de Silvio.
Aos sábados pela manhã, os meninos do bairro iam para a casa de Noelzinda e Felipe para se prepararem as provas de admissão do colégio.
No período da tarde jogavam bola no quintal da casa, e batiam os famosos “rachas”.
No dia seguinte, aos domingos, toda a molecada ia assistir aos jogos do Floresta, primeiro e segundo quadros.
Silvio passou para a história do subúrbio cearense como o Rinus Michels do Futebol Amador.
Até que em 1987, Felipe foi chamado...
O Floresta continuou vivo, mas jamais voltaria a ser o mesmo.
Ao que parece, a tristeza tomou conta do coração de Silvio que apenas pontualmente passou a acompanhar os jogos do alviverde.
Pois bem, nesta sexta-feira, dia 19 de outubro, Silvio foi chamado...
Um coração bom e alegria contagiante que ainda moleque me presenteou com algo que trago até hoje, ser torcedor do Ceará, outra herança do meu avô.
Tristeza difícil de superar e que caberá a saudade suprir no coração de todos que o conheceram.
um abraço,
José Renato Santiago

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