Rigoberto de Souza nasceu em Pombal, no estado da Paraíba.
Primogênito de onze rebentos, filho do coletor estadual e músico
autodidata João Alfredo de Souza e de Dona Adelziva Bezerra de Souza, agente de
correio. Sinal premonitório, Rigoberto é tataraneto de alferes quartel-mestre do
Exército Luso Brasileiro.
Como filho mais velho, nosso herói teve a primazia de ser o único matriculado em escola particular. Menino travesso, Rigoberto deu muito tanto
trabalho a seu pai, tanto que terminou sendo transferido para uma escola rural
no intuito de moldar no ambiente inóspito do novo universo escolar seu gênio
rebelde. Mal sabiam que era justamente essa inquietude e bravura precoces, o
sinal de luta símbolo de sua existência.
Na memória de Rigoberto ficaram presentes inúmeros castigos
recebidos do pai, João Alfredo. O filho mais velho deveria servir de exemplo
aos irmãos. Mas também ficou presente a lembrança do sonho paterno em garantir
a boa educação do filho. Além dos primeiros anos em escola particular e dos
tempos na escola rural, Rigoberto foi entregue juntamente com o irmão Amauri, aos
cuidados de um preceptor particular, o Professor Amadeu, esposo de uma tia-avó.
A CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas – não existia. Aos
doze anos, o menino teve seu primeiro emprego trabalhando numa fábrica de
extração de óleo de oiticica (Licania rigida), planta da família das rosáceas.
Rigoberto pesava o fruto que dava um óleo melhor que a mamona. Naquele tempo
havia uma refinaria de oiticica no sertão paraibano, sendo o óleo exportado
inteiramente para as indústrias de tinta do Brasil e do exterior pela rede viação
cearense.
No sertão nordestino de paisagens áridas, cinzentas,
dolorosas, a imagem da imensa palmeira de folhas sempre verdes, abrigo no calor inclemente das manhãs sem fim, símbolo da riqueza
inexplorada da caatinga, foi o primeiro contato do menino com a beleza, tristeza
e desigualdades sociais e econômicas do mundo em revolução do início do século
XX.

0 comentários:
Postar um comentário
Comentários