3 de ago. de 2012









1997.


Quarta-feira.

Chovia em Paris

maio


caminhava sozinho pelas ruas do Sena

coração vazio abandonado

sentimentos embalsamados

molhado e frio

suspeitando que o tempo havia parado em torno de mim.


Cansado

repousei contra a parede de um prédio

a chuva meu coração

uma porta

um letreiro:

"Fotos de Henri Cartier-Bresson"


Corri até a porta

despi meu casaco na entrada

olhos extasiados mundo preto-e-branco

imagens

fascinantes

um mundo novo.


Uma foto em especial gravei na mente

um menino sorridente

garrafa na mão direita

sob o olhar atento de duas menininhas

apaixonadas pelo enfant terrible.


Noutra foto

o homem solitário na rua de Marselha

antes do estrondoso soluçar da Grande Guerra

o ciclista

captado átimo de segundo

no aparente flutuar da sua sela.


Ainda não sei bem

quantos anos gravitei naquela sala

mas ao sair

já era primavera.

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