1997.
Quarta-feira.
Chovia em Paris
maio
caminhava sozinho pelas ruas do Sena
coração vazio abandonado
sentimentos embalsamados
molhado e frio
suspeitando que o tempo havia parado em torno de mim.
Cansado
repousei contra a parede de um prédio
a chuva meu coração
uma porta
um letreiro:
"Fotos de Henri Cartier-Bresson"
Corri até a porta
despi meu casaco na entrada
olhos extasiados mundo preto-e-branco
imagens
fascinantes
um mundo novo.
Uma foto em especial gravei na mente
um menino sorridente
garrafa na mão direita
sob o olhar atento de duas menininhas
apaixonadas pelo enfant terrible.
Noutra foto
o homem solitário na rua de Marselha
antes do estrondoso soluçar da Grande Guerra
o ciclista
captado átimo de segundo
no aparente flutuar da sua sela.
Ainda não sei bem
quantos anos gravitei naquela sala
mas ao sair
já era primavera.

0 comentários:
Postar um comentário
Comentários