25 de ago. de 2012




Por ROBERTO VIEIRA      


Doeu?

Voltaren.

Surtou?

Lexotan.

Engordou?

Sibutramina.

Peito flácido?

Silicone.

Óculos?

Lasik.

Ela foi embora?

Cialis.

Para todos os males?

Remédios mil.

Nada de sofrer, nada de saudade, nada de falhar na hora errada.

O ser humano imune ao tempo ergue seus braços ao infinito, e além.

Até descobrir-se solitário na jaula da abundancia.

Cadê a poesia?

Poesia que depende da insonia e do sofrimento.

Poesia que se aprende ao sorrir da lágrima derramada.

Ao nos levantarmos da queda desvairada das paixões.

Ao nos depararmos sós e abandonados nos leitos nupciais.

Quando a pele enrugada subtrai o orgasmo derradeiro.

Quando a lembrança da infância torna belo o entardecer da existência.

Não somos super-homens.

Somos apenas formas de vida momentâneas na sinfonia do planeta Terra.

O amor sem desamor é desabrigo.

O triunfar sem dor é um perigo.

O destino sem precipício é o maior abismo.

Os três medicamentos mais vendidos no Brasil são ansiolíticos.

O quarto serve para emagrecer.

A doença nossa de cada dia somos nós mesmos.

Lá fora?

Brilha o sol e a chuva cai.

Esperando por você, por mim, por cada um de nós.

A felicidade é coisa simples.

Não vem em drágeas.

Nem em gotas oftalmológicas.

A felicidade é não precisar de nada.

Para ser infinitamente feliz...




0 comentários:

Postar um comentário

Comentários