29 de jul. de 2012










Por ROBERTO VIEIRA


O basquetebol brasileiro nasceu em Londres.

Na Londres devastada pela guerra.

Escombros nas avenidas.

Fotografias censuradas.

Na Londres que negou Churchil três vezes.

O Brasil era Piedade Coutinho, e só.

Piedade e seu marido e filho.


Piedade condenada até pelo técnico Flávio Costa.

Futebol e natação.

Ordem e Progresso.

Então?





As bolas foram caindo como V2 sobre George VI.

A velha Albion caindo por 76-11.

O mundo sorriu.

Basquetebol no Brasil?

Brasil que enfrentou os Gigghias.

Deu Brasil por 36-32.

Numa batalha de contornos premonitórios.

E caíram os magiares, amigos de Puskas.

Os canadenses e os italianos.




Parentes do Torino que excursionava em São Paulo.

O país começa a se reconhecer na bola ao cesto.

O Brasil vence a Tchecoslováquia.

O Brasil já estava na final!

Diziam os jornais.




A França estava no papo.

Parêntesis.

Ainda não havíamos provado do Maracanazzo.

Nossa desventura desportiva se resumia a Domingos da Guia.

O Brasil saiu na frente.

Botou 14-10 no marcador.

Sonhou com os States na final.

Acordou com a França na dianteira do marcador.

França que fez cera no final da partida.

Cadê o limite de tempo?

Menos mal que os heróis foram reconhecidos.

Menos mal que houve disputa de terceiro lugar.

Uma emocionante vitória contra os mexicanos.

O basquete virou o segundo esporte de todos.




Até ser quase sepultado por quem desconhecia a paixão.

2012.

O basquetebol brasileiro renasceu el Londres.

A Londres rica do pós punk.

A Londres do exílio Caetano.

A Londres dos stones e beatles. Do The Who.

Algodão é saudade.

Vareja é realidade.

João, Rui, Marcus, Afonso, Alexandre?

Marcelinho Huertas.

Lá não está Daiuto.

Sinal dos tempos.

Lá está um argentino chamado Ruben Magnano.

O que o futuro reserva ao basquete brasileiro?

Ninguém sabe.

O basquete é terra do sem fim.

Mas Londres sempre será a terra do sempre da nossa bola aocesto.

London calling.

Só não ouve quem não quer ouvir...















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