Por ROBERTO VIEIRA
O basquetebol brasileiro nasceu em Londres.
Na Londres devastada pela guerra.
Escombros nas avenidas.
Fotografias censuradas.
Na Londres que negou Churchil três vezes.
O Brasil era Piedade Coutinho, e só.
Piedade e seu marido e filho.
Piedade condenada até pelo técnico Flávio Costa.
Futebol e natação.
Ordem e Progresso.
Então?
As bolas foram caindo como V2 sobre George VI.
A velha Albion caindo por 76-11.
O mundo sorriu.
Basquetebol no Brasil?
Brasil que enfrentou os Gigghias.
Deu Brasil por 36-32.
Numa batalha de contornos premonitórios.
E caíram os magiares, amigos de Puskas.
Os canadenses e os italianos.
Parentes do Torino que excursionava em São Paulo.
O país começa a se reconhecer na bola ao cesto.
O Brasil vence a Tchecoslováquia.
O Brasil já estava na final!
Diziam os jornais.
A França estava no papo.
Parêntesis.
Ainda não havíamos provado do Maracanazzo.
Nossa desventura desportiva se resumia a Domingos da Guia.
O Brasil saiu na frente.
Botou 14-10 no marcador.
Sonhou com os States na final.
Acordou com a França na dianteira do marcador.
França que fez cera no final da partida.
Cadê o limite de tempo?
Menos mal que os heróis foram reconhecidos.
Menos mal que houve disputa de terceiro lugar.
Uma emocionante vitória contra os mexicanos.
O basquete virou o segundo esporte de todos.
Até ser quase sepultado por quem desconhecia a paixão.
2012.
O basquetebol brasileiro renasceu el Londres.
A Londres rica do pós punk.
A Londres do exílio Caetano.
A Londres dos stones e beatles. Do The Who.
Algodão é saudade.
Vareja é realidade.
João, Rui, Marcus, Afonso, Alexandre?
Marcelinho Huertas.
Lá não está Daiuto.
Sinal dos tempos.
Lá está um argentino chamado Ruben Magnano.
O que o futuro reserva ao basquete brasileiro?
Ninguém sabe.
O basquete é terra do sem fim.
Mas Londres sempre será a terra do sempre da nossa bola aocesto.
London calling.
Só não ouve quem não quer ouvir...
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