
Por ROBERTO VIEIRA
O Fluminense era crisol e Coelho Neto.
Era.
Pois a estátua augusta se perdeu no tempo e nos gols dePreguinho.
Filho do Neto.
O Fluminense era aristocrático e casa grande.
Era.
Pois Gentil Cardoso e Didi derrubaram a tese.
E o Fluminense aprendeu a viver a vida como ela é.
Fluminense, pátria de Telê.
Fluminense, terceiro dia de Rivelino.
Fluminense, guarânia de Romerito.
Fluminense que passou dois anos sem tomar gol.
Nos tempos do Castilho.
Bola?
Só no travessão.
Fluminense tão fidalgo.
Que deu origem ao futebol do maior rival.
Mas a maior lembrança dos 110 anos do Fluminense.
Não repousa nos campos.
Nem na taça de Campeão Mundial de 1952.
Ano do cinqüentenário.
A maior e mais singela lembrança destes 110 anos.
Vem das arquibancadas do Maracanã.
Onde o velho Nelson Rodrigues.
Apaixonado e cego pelas uveítes da vida.
Insistia em cantar seu amor pelo clube.
Ante o olhar encantado do sobrinho Chico Buarque.
Chico que narrava em cada jogo.
Uma vitória mais bela, completa, insofismável.
Uma vitória escrita quarenta minutos antes da bola rolar...

Eita! Rádio O BLOG DO ROBERTO! HAHA... Ficou perfeito! :)
ResponderExcluirMais um excelente texto de Roberto Vieira. Parabéns, Mestre. Chico Buarque é sobrinho de Nelson Rodrigues?
ResponderExcluirRoberto, se não fosse seu esse texto só poderia ser de Chico Buarque ou de Nelson Rodrigues.
ResponderExcluirBelo texto! Obrigado, Roberto, pelo meu coração tricolor infanto-juvenil. Pelo tricolor das Laranjeiras, de Pedro Amorim e Romeu, de Tim e Hércules. De Batatais (não sei como não fui ser goleiro na vida por causa da paixão por Batatais!). Newton: Nélson Rodrigues era o tio de todos nós, tricolores da Laranjeira, e de quem escreve bem, assim como Roberto.
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