7 de jul. de 2012



Por ROBERTO VIEIRA






O rapaz olha desolado a máquina do tempo.

O mundo mudou.

Já não é o mundo de antes.

Mundo de cartolas e polainas.

Mundo de mansões impecavelmente perfumadas e esposasvirgens.

As Laranjeiras são amontoado de pedra e saudade.

Os homens já não amam o amor impossível.

As crianças já não correm nas ruas atrás do sonho.

O dinheiro é muito mais importante que o fio de bigode.

O primeiro beijo é a primeira noite.

O poeta morre de fome se não canta rap.

Na Senador Vergueiro um mendigo se veste a rigor.

Velho magnata que comprava chocolate na Rua do Ouvidor.

Uma bala perdida encontra o pobre mendigo e ele não é mais.

O Rio de Janeiro perdeu Jobim, Carmem e Vinícius.

Rio dos pivetes e cracks.

O Rio do Bope.

O Rio que não tem mais Pixinguinha.

As rosas não falam mais no Rio.

Mas, calma!

Não se afobe, não!

Nada está totalmente perdido.

Quarenta minutos antes do nada absoluto.

Quarenta minutos antes da desilusão total.

O rapaz ouve vozes familiares.

Gritos. Hipérboles. Semínimas.

Uma multidão se comprime no gigantesco monstro de concreto.

O Rio de Janeiro continua lindo.

O Fla – Flu ainda existe.

E se o Fla – Flu existe?

Todo amor é possível.

E até as rosas podem voltar a cantar...


2 comentários:

  1. O Flamengo x Fluminense tem a sua beleza, até pelo apelido sonoro... "FLA-FLU"... mas acho incrível a forma como a Globo vende este "produto", como se fosse um jogo de Super Bowl, nos States, esquecendo que o GreNal (pra mim o maior clássico brasileiro) e o Clássico dos Clássicos envolvendo Sport x Náutico também fizeram 100 anos, bem antes do Fla-Flu... mas não teve essa repercussão.

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  2. Washington, a Globo do passado era a Rádio Nacional, ela que levou o futebol do Rio para todo o Brasil, daí a importância nacional desse Clássico. Por muito tempo Sport x Náutico era tratado como Fla-Flu Pernambucano. É no mínimo o mais charmoso Clássico do Brasil.

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Comentários