Por ROBERTO VIEIRA
18 de maio de 1955.
Final de tarde no Aeroporto dos Guararapes.
A Sociedade Esportiva Palmeiras visita Recife pela primeira vez.
Graças aos esforços e patrocínio de Adamir Menezes, irmão de Ademir, o Queixada.
Adamir que era o supervisor para o Nordeste da Saturnia S/A Acumuladores Elétricos de São Paulo.
O Palmeiras é o convidado especial do Torneio Prefeito Djair Brindeiro.
Torneio comemorativo do cinquentenário do Sport Club Recife.
Completam o certame, o Náutico e o América-PE.
Na chegada em solo pernambucano, o dirigente rubro negro Divaldo Sanguinetti, em discurso, homenageia os visitantes.
Chefiando a delegação, Bruno Sacomanni agradece a homenagem.
Pela Rádio Panamericana, o locutor Salem Junior transmitirá em ondas curtas o evento.
Os paulistas chegam desfalcados de elementos importantes.
Ficaram em São Paulo, Liminha, Manoelito e Renato.
Também ficou em casa o zagueiro de um milhão de cruzeiros: Valdir, comprado à Ponte Preta.
Em compensação, o Palmeiras trazia Valdemar Fiúme, Jair Rosa Pinto e Humberto Tozzi.
Pra que mais?
A tabela reservou Sport x Palmeiras para a rodada final.
Antes do jogo, o Palmeiras venceu o Náutico por 3 x 1 e o América por 1 x 0.
O Sport goleou o Náutico por 5 x 2, mas empatou em 1 x 1 com o clube da Estrada do Arraial.
Basta o empate para assegurar o título ao tríplice coroado do futebol bandeirante.
25 de maio de 1955.
Chuva forte na Ilha do Retiro.
O Sport de Gentil Cardoso alinha Carijó; Moreira, Pedro Matos, Miguel e Pinheirense;
Wilson e Gringo;
Celly, Carlinhos, Soca e Eliezer.
O Palmeiras do técnico Ventura Cambom forma com Laércio; Nilo e Mário; Nicolau, Valdemar e Gérsio;
Elzo, Humberto, Ney, Jair e Rodrigues.
O primeiro tempo é jogado com cautela.
As defesas prevalecem.
Poucos lances de perigo.
Até que aos 37 minutos, a torcida emudece.
Falta na entrada da área.
Adivinha quem vai bater?
Jair Rosa Pinto desfere um petardo tão ao seu estilo.
Carijó voa por desencargo de consciência.
Palmeiras 1 x 0.
Porém, a festa palestrina durou pouco.
Dois minutos depois, Eliézer recebe livre e toca no canto de Laércio: 1 x 1.
Festa na Ilha.
Mas um jogo de futebol tem 90 minutos.
Aos 15' da etapa derradeira, Ney toca para Ivan que descobre Rodrigues livre.
No segundo seguinte a pelota chega ao artilheiro Humberto Tozzi.
Bola com Tozzi já tem endereço certo: Palmeiras 2 x 1.
Celly é substituído por Traçaia.
Na primeira jogada, Traçaia dribla dois palmeirenses e é tocado por Valdemar perto da risca de grande área.
Foi pênalti, não foi pênalti?
O árbitro Pedro Calil achou que não foi.
Palmeiras campeão do Quadrangular.
Ao contrário dos dias de hoje, Sport e Palmeiras se abraçaram no final do confronto.
A Sociedade Esportiva Palmeiras levou o troféu.
E voltou correndo para São Paulo. Tinha jogo contra a Lusa pelo Rio-São Paulo.
O Sport?
O Sport aguardava a chegada do próximo convidado da festa:
O Corinthians de Gilmar.
Mas aí já é outra história...

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