6 de jan. de 2009



[IMAGEM]

Por ROBERTO VIEIRA


-Tira a mão daí!

-Num tiro.

-Me larga!

-Num largo.

-Olha que o meu marido está chegando!

-Eu com isso.

-Ele dá dois de você!

-Daí?

-Ele vai te matar de porrada!

-Por você eu morro feliz.

-Cafajeste!

-Num elogia que eu me derreto todo.

-Ei, agora me lembrei!

-Lembrou de que?

-Você não é o Ariclenes?

-Que Ariclenes?

-Aquele que estudava lá no Salesiano?

-Tuca?

-Ari!!

-Mas Tuca, tu ta muito mudada!

-Recauchutei Arizinho.

-Tuca, cadê tuas tranças?

-Cortei! Chanel é muito melhor!

-E os teus óculos?

-Cirurgia refrativa!

-Esses lábios pintados, essa saia justa, esse decote?

-Ficou sexy, Arizinho?

Silencio.

Arizinho se afastou deixando Tuca no cantinho escuro do barzinho sem entender nada de nada.

Contam que vagou durante sete dias e sete noites triste e cabisbaixo.

Inconsolável.

Tuca era um sonho antigo, uma paixão perdida nos corredores do tempo.

A última prova dos seus devaneios de juventude.

A paixão silenciosa que ele guardara tantos anos no peito.

Troféu inescrutável do que já não era.

Subitamente, a realidade cruel do tempo presente lhe deixou perplexo...


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