
35 anos da bandeiro do Recife
Por ROBERTO VIEIRA
Meu Recife é um sentimento,
sem ufanismo,
sem rasgos de beleza e cor,
com um tanto de silêncio e adeus.
Não é um Recife de pontes,
não é um Recife de rios,
não é um Recife de palacetes e palafitas,
é um Recife de lembranças.
O açougue de meu pai,
os conselhos de minha mãe,
o menino trancado na Rua do Hospício,
a inventar histórias.
O meu Recife não é o Recife de sobrenomes,
Recife aristocrata,
Recife escravocrata.
O meu Recife não é a Rua do Sol,
não é a rua da Aurora,
é apenas o Recife de outrora.
Do seu João sapateiro,
dos judeus na livraria da esquina,
do Otacílio na barbearia,
do seu Brás na banca da Igreja.
Meu Recife não existe mais,
todos morreram,
estão esquecidos,
sepultos,
exceto em mim...

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