14 de dez. de 2008




Por ROBERTO VIEIRA

Durante certo tempo, Gabriel García Marques escreveu sobre futebol.

Depois, Gabo escreveu sobre Macondo. Sobre cem anos de solidão.

Sobre o amor nos tempos do cólera.

Gabo que parece buscar inspiração no futebol brasileiro.

Futebol brasileiro:

O relato de um naufrágio nas águas da violência.

Águas de um(a) outro(a) cólera.

Cega.

Diferentes artigos. Diferentes amores.

Não existem os três mil modelos de cartas apaixonadas.

Não existe o verso de Florentino e Daza.

Existem, no entanto, milhares de torcedores e policias feridos à bala.

À pedra. À coronhada.

E milhões de mensagens eletrônicas cobertas de ódio.

Os personagens?

Mortos, na memória estatística policial.

Mortos, na guerilha de torcidas organizadas.

Novos Jeremiahs Saint-Amour.

No Brasil atual, o futebol é um general em seu labirinto de violência.

A morte de um torcedor?

A crônica de uma morte anunciada.

O grito de gol?

Memórias de disputas tristes.

Onde o futebol é apenas desculpa, motivo.

Para o tapa.

O soco.

O tiro...


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