
Por ROBERTO VIEIRA
Durante certo tempo, Gabriel García Marques escreveu sobre futebol.
Depois, Gabo escreveu sobre Macondo. Sobre cem anos de solidão.
Sobre o amor nos tempos do cólera.
Gabo que parece buscar inspiração no futebol brasileiro.
Futebol brasileiro:
O relato de um naufrágio nas águas da violência.
Águas de um(a) outro(a) cólera.
Cega.
Diferentes artigos. Diferentes amores.
Não existem os três mil modelos de cartas apaixonadas.
Não existe o verso de Florentino e Daza.
Existem, no entanto, milhares de torcedores e policias feridos à bala.
À pedra. À coronhada.
E milhões de mensagens eletrônicas cobertas de ódio.
Os personagens?
Mortos, na memória estatística policial.
Mortos, na guerilha de torcidas organizadas.
Novos Jeremiahs Saint-Amour.
No Brasil atual, o futebol é um general em seu labirinto de violência.
A morte de um torcedor?
A crônica de uma morte anunciada.
O grito de gol?
Memórias de disputas tristes.
Onde o futebol é apenas desculpa, motivo.
Para o tapa.
O soco.
O tiro...
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