23 de dez. de 2008



Por ROBERTO VIEIRA

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Seu José Mario é um grande amigo.

Um amigo da saudosa Limoeiro.

Onde eu passava as férias de infância.

Limoeiro do seu Zé de Ponte e de seu Otaviano.

Chico Heráclito já era história.

Limoeiro do Centro Limoeirense e do Colombo.

Seu José Mario enviou um comentário falando da falta de prata-da-casa no Náutico.

Dos 18 títulos que presenciou do Sport sobre o Timbu.

Seu José Mario que é rubro negro dos quatro costados.

Caro amigo, vamos tentar responder.

O senhor lembra da Ilha de Odilon?

Não?

Eu lembro.

Fui até pegar uma foto do velho garoto nos arquivos.

Odilon foi um dos rebentos do Sport em 1973.

O Sport completava 10 anos sem título e apelou.

Sem dinheiro e, abandonado pelos sócios e torcida, apostou nos garotos.

(É o Sport já foi um maior abandonado)

Apostou não. Jogou os meninos às feras.

Odilon entre eles.

E o Sport saiu perdendo a torto e a direito.

Sem perdão.

Cometeu até o sacrilégio de colocar Adeildo pra jogar.

Adeildo era um goleiro dos juvenis.

Tinha 15, 16 anos de idade.

Nessa fase negra, sem rubro, o Sport levou uma sapecada do Náutico:

5 x 0 nos Aflitos.

O Sport perdia dia sim e no outro também.

Mas como o Sport saiu do buraco?

Bem, um dia Jarbas Guimarães assumiu a proa da Ilha.

Gastou mundos e fundos pra montar a Seleção do Nordeste com Dario, Tobias e Luciano.

O Sport quebrou um jejum de 12 anos sem título.

Palmas pra Jarbas?

Você que sabe.

Três anos depois, afogado em dívidas, solitário, a humilhação.

O Sport não participou do campeonato pernambucano de 1978.

Não tinha dinheiro nem pro cafezinho.

Quase fechou as portas.

Sobreviveu de migalhas.

Até um jogo com o Vasco da Gama foi realizado.

(Vasco que jogou de favor em Recife)

Durante o espetáculo, circulou uma vasilha pedindo donativos ao clube.

Como eu sei?

Nos meus 13 anos, eu estava lá.

Pra ajudar, na minha infantil pernambucanidade.

Coloquei algumas moedas na vasilha. Penalizado.

Eu e meu amigo, Wilton Carvalho.

Wilton que é um alvirrubro e vascaíno empedernido.

O Sport reviveu das cinzas.

Com a ajuda da Federação, dos outros clubes e, é claro, dos rubro negros.

Reviveu porque, o futebol do estado, iria pras cucuias com apenas dois times.

Máxima que muita gente insiste em esquecer.

O Triunvirato é tudo.

Sem ele, Roma arde em chamas.

Voltando ao assunto, meu caro José Mario.

Naqueles anos, o Sport não revelou ninguém.

Porque time que perde sempre não revela ninguém.

Craque surge na boa.

No Santos de Vasconcelos e Jair.

O Sport ganhou 18 decisões do Náutico?

Isso não me faz menos alvirrubro.

Nem um centímetro.

Esse ano de 2009, vai ter festa na Ilha de Odilon, digo, Ilha do Retiro.

Festa Timbu com direito a pagar promessa na igreja da rua da matriz em Limoeiro.

Porque nenhum deserto é tão imenso que não contemple o horizonte, seu José Mario.

E o Timbu, é primo-irmão dos beduínos!


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