
Por ROBERTO VIEIRA
“Marcos!”
“Pois não?”
“Que negócio é esse de sair por aí pedindo perdão pra todo mundo?”
Silêncio.
“A torcida te chama de santo, mas seus papéis ainda estão em tramitação.”
“Mas não foi o Senhor mesmo que falou que é preciso perdoar?”
“Marcos, isso foi coisa lá do meu filho!”
Silêncio.
“E o tal negócio de dar a outra face?”
“Muito bonito, mas trata-se de um exercício de retórica!”
Silêncio demorado.
“Então, não é dando que se recebe?”
“Gosto muito do Francisco, mas depois que ele começou a conversar com passarinho...”
O Mosteiro está vazio.
Pode-se ouvir o vento na 25 de Março.
“Eu estou muito triste, Senhor...”
O silêncio agora vem do alto.
De repente, alguém lá em cima ficou sem ter o que dizer.
Até que depois de certo tempo, murmurou:
“Marcos, eu vejo a saudade no seu coração. O adeus machuca a gente. Realmente aquele negócio do olho por olho era radical. Fizemos uma revisão nos textos, modificamos alguns procedimentos. Mas bota uma coisa na tua cabeça!”
E conclui:
“O nome do jogo é futebol e é ele que não sabe o que diz!”
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