12 de nov. de 2008






Por ROBERTO VIEIRA

“Marcos!”

“Pois não?”

“Que negócio é esse de sair por aí pedindo perdão pra todo mundo?”

Silêncio.

“A torcida te chama de santo, mas seus papéis ainda estão em tramitação.”

“Mas não foi o Senhor mesmo que falou que é preciso perdoar?”

“Marcos, isso foi coisa lá do meu filho!”

Silêncio.

“E o tal negócio de dar a outra face?”

“Muito bonito, mas trata-se de um exercício de retórica!”

Silêncio demorado.

“Então, não é dando que se recebe?”

“Gosto muito do Francisco, mas depois que ele começou a conversar com passarinho...”

O Mosteiro está vazio.

Pode-se ouvir o vento na 25 de Março.

“Eu estou muito triste, Senhor...”

O silêncio agora vem do alto.

De repente, alguém lá em cima ficou sem ter o que dizer.

Até que depois de certo tempo, murmurou:

“Marcos, eu vejo a saudade no seu coração. O adeus machuca a gente. Realmente aquele negócio do olho por olho era radical. Fizemos uma revisão nos textos, modificamos alguns procedimentos. Mas bota uma coisa na tua cabeça!”

E conclui:

“O nome do jogo é futebol e é ele que não sabe o que diz!”


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