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25 de ago. de 2012




12 de nov. de 2008






Por ROBERTO VIEIRA

“Marcos!”

“Pois não?”

“Que negócio é esse de sair por aí pedindo perdão pra todo mundo?”

Silêncio.

“A torcida te chama de santo, mas seus papéis ainda estão em tramitação.”

“Mas não foi o Senhor mesmo que falou que é preciso perdoar?”

“Marcos, isso foi coisa lá do meu filho!”

Silêncio.

“E o tal negócio de dar a outra face?”

“Muito bonito, mas trata-se de um exercício de retórica!”

Silêncio demorado.

“Então, não é dando que se recebe?”

“Gosto muito do Francisco, mas depois que ele começou a conversar com passarinho...”

O Mosteiro está vazio.

Pode-se ouvir o vento na 25 de Março.

“Eu estou muito triste, Senhor...”

O silêncio agora vem do alto.

De repente, alguém lá em cima ficou sem ter o que dizer.

Até que depois de certo tempo, murmurou:

“Marcos, eu vejo a saudade no seu coração. O adeus machuca a gente. Realmente aquele negócio do olho por olho era radical. Fizemos uma revisão nos textos, modificamos alguns procedimentos. Mas bota uma coisa na tua cabeça!”

E conclui:

“O nome do jogo é futebol e é ele que não sabe o que diz!”


11 de nov. de 2008






Por ROBERTO VIEIRA

Muitas vezes os céus parecem enigmáticos.

À primeira vista o lugar de Marcos seria no Palmeiras de 1973.

Com Luís Pereira e Alfredo na zaga.

Dudu e Ademir no meio de campo.

Leivinha marcando gols lá na frente.

Marcos ia dormir os 90 minutos da partida.

Sob as bençãos do sábio Osvaldo Brandão.

Um mundo perfeito.

Mas é preciso compreender melhor o livro do destino.

O contrário seria uma catástrofe.

Imaginem Leão jogando no Palmeiras do século XXI.

Sob as críticas do técnico Wanderley Luxemburgo.

Imaginaram?

Pois é...



3 de out. de 2008




Por ROBERTO VIEIRA


Semana passada, Kuki completou 358 jogos pelo Náutico superando antigo recorde de Lala.

O jogo Náutico x Palmeiras foi transmitido em rede nacional aberta.

Em artigo publicado no Jornal do Commercio da mesma semana, escrevi sobre a necessidade de fazer uma festa para Kuki e Lala.

Quem sabe uma camisa comemorativa.

Estava sentado em São Paulo assistindo a partida. E nada.

Kuki é entrevistado antes do jogo por um jornalista. E só.

Nem camisa, nem festa, nem nada de nada.

E daí?

Daí que futebol é um show. Televisão é show. O Estado, a Folha de S. Paulo e a CBN noticiaram o fato e a diretoria alvirrubra ignorou a celebração.

Você acha tudo isso besteira de blogueiro?

Problema seu!

Enquanto você acha isso, o Corinthians faturou mais de um milhão de reais com camisas comemorativas.

O Palmeiras joga de verde limão.

E o Timbu reclama dos bolsos vazios.

Será tão difícil arejar o velho casarão dos Aflitos?

Tão difícil confeccionar uma camisa?

Tão impossível mandar limpar as teias de aranha ancestrais?

Ainda não se convenceu?

Meu amigo, que pena!

Enquanto isso, o goleiro Marcos vai usar a camisa 400 no final de semana.

400 camisas foram fabricadas para venda.

Cada uma vendida por R$ 249,90.

Cinquenta reais vão para uma instituição de caridade.

E o resto? Os R$ 80.000,00?

O resto vai dormir nos cofres do Parque Antarctica.


2 de ago. de 2008






Por ROBERTO VIEIRA

Ele nunca marcou um gol. Herói solitário da pequena área. Missionário.

Mas tantos foram os gols evitados que os fiéis o chamam religiosamente de São Marcos.

Um santo das causas impossíveis. Das defesas mais certas nas horas incertas.

Um santo do novo mandamento alviverde.

Entretanto, São Marcos não é aceito por unanimidade.

Pros lados do Parque São Jorge, o seu evangelho é apócrifo. Proscrito. Index.

Menos nos dias da Copa do Mundo de 2002. Dias em que o verde se unia indelevelmente ao amarelo.

Dias de todos os santos na carta aos filipenses.

Diziam as sagradas escrituras do futebol palmeirense, que o milagre viria do Oriente.

Milagre da Libertadores de 1999.

Milagre que quase se transforma em crucificação na final de Tóquio.

São Marcos nasceu em um dia 4 de agosto de 1973.

Nasceu durante o reinado da Academia do Divino.

Nasceu predestinado a ser o imortal substituto de Oberdan, Leão e Valdir de Moraes.

Nasceu para ser um exemplo de goleiro e atleta.

Até pra quem não gosta nem um pouco da religião do Parque Antartica.

Ele nunca marcou um gol. Herói solitário da pequena área. Missionário.

Mas tantos foram os gols evitados que os fiéis o chamam religiosamente de São Marcos.

Um santo das causas impossíveis. Das defesas mais certas nas horas incertas.

Um santo do novo mandamento alviverde.