8 de nov. de 2008



Ademir Menezes

Por ROBERTO VIEIRA


Rápido.

Ademir Menezes foi um cometa que brilhou intensamente.

Caso houvesse nascido em outro país, seria Deus.

Como nasceu em Pernambuco, quem foi Ademir?

Ademir que nasceu no dia 8 de novembro de 1922.

Ademir que cresceu batendo bola no Pina.

Ademir, relegado a uma estátua na frente do clube que o revelou.

Abdicado pelos torcedores.

Mas ninguém pode esquecer o Queixada.

O atacante que revolucionou o futebol.

O homem que obrigou os técnicos a deslocarem um homem do meio campo para a defesa.

Muitos imaginam que o Brasil descobriu Ademir na célebre excursão do Sport em 1942.

Excursão em que o Sport venceu o Vasco, Flamengo e meio mundo.

Engano.

O Brasil abriu os olhos para Ademir muito antes.

Em 1941.

A seleção pernambucana pisou no Distrito Federal.

Depois de esmagar os paraibanos por 9 x 0.

O ataque era brincadeira:

Djalma, Ademir, Tará, Pinhegas e Pirombá.

Pitota, Furlan e Pelado na linha média.

Vencemos o Maranhão. Perdemos da Bahia.

Mas o Fluminense abriu os olhos.

E lá está a foto de Ademir, jovem, imberbe.

Prestes a jogar nas Laranjeiras de Pedro Amorim.

[imagem]

Mas o Flu deu bobeira e pouco depois o Vasco entrou na parada.

Fluminense só em 1946.

Em 429 partidas com a camisa do Vasco, 301 gols.

Recorde que só viria a ser superado por Roberto Dinamite.

Pela seleção brasileira foram 41 jogos e 37 gols.

Na Copa do Mundo, um absurdo.

Seis partidas e nove gols. Quase dois por jogo.

Digno de Fontaine e Kocsis.

Mas foi justamente na seleção que se deu o inesperado.

Depois das touradas de Madri, o Maracanazo.

Ademir passou em brancas nuvens contra o Uruguai.

A trave salvou aquele que seria o nosso gol de empate.

Gol que sairia de seu talento.

Ademir saiu do estádio e foi para uma praia deserta.

Durante quinze dias não falou com ninguém.

Depois voltou para fazer gols, muitos gols.

Mas alguma coisa estava diferente em seu olhar.

A volúpia pelo gol desaparecera.

Uma contusão. O fim do casamento.

O silêncio das arquibancadas.

Ademir foi ser cronista esportivo.

Foi escrever sobre o que mais sabia fazer: Futebol.

Para os que esquecem o craque, perdão.

A memória é território cruel e desumano.

Para os que recordam o gigante, uma foto.

A imagem dos três reis magos antes da chegada do Messias Pelé:

Lado a lado. Maracanã, 1954.

Leônidas, Ademir e Friedenreich.

Uma multidão reverencia a despedida do Queixada da seleção.

Não é preciso dizer mais nada...


[imagem]



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