
Por ROBERTO VIEIRA
"Prezados amigos do IPPPP*,
Fiquei feliz ao escolherem meu nome para o seu Instituto de Pesquisa.
Ainda mais quando colocaram meu nome ao lado do nome de Pelé.
A idéia de confeccionar 1293 medalhas numeradas, cada uma referente a um gol do Rei, para serem vendidas e angariar fundos para a entidade? Supimpa!
Mas discordo de vocês em um ponto: O pedido de desculpas de Gordon Banks.
Banks que se desculpa no comercial bolado pela JWT, por ter defendido a cabeçada do Pelé em 1970.
Banks que se tornou eternamente responsável pelo que cultivou.
Francamente!
Larga disso.
E alguém ia preferir que a bola entrasse?
Vocês ainda não descobriram, meus amigos. Mais valiosos que os gols do Rei eram os gols que ele não fazia.
Senão, ele não seria um gênio. Seria um artilheiro qualquer, como meu nobre compatriota Fontaine.
Meus amigos, ainda está na hora de refazer a campanha publicitária.
Parem as máquinas!
Convoquem de novo o Banks, o Mazurkiewicz e o Viktor.
Criem três medalhas de ouro.
Cada uma com a imagem dos três lances imortais da carreira do camisa 10.
O chute do meio campo contra a Tchecoslováquia de Viktor.
A defesa monumental de Banks.
E o drible jazzístico em Mazurkiewicz na semifinal de 70.
Três obras-primas dignas de qualquer museu. Dignas de um Saint-Exupéry.
Muito mais belas que um gol. Tão valiosas quanto um esboço de Da Vinci.
Porque, ao invés de desculpas, devemos agradecer os três goleiros pela parceria na criação.
Como se fossem Pelé e Coutinho.
Vinícius e Jobim.
Lennon e McCartney.
PS: E cobrem mais caro pelas medalhas, por favor!"
O Pequeno Príncipe

* Instituo de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe
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