
Por ROBERTO VIEIRA
Escrevo emocionado. Como apaixonado pelo futebol. Como apaixonado pelo Brasil. Escrevo depois de cruzar a porta de saída do Museu do Futebol no Estádio do Pacaembu em São Paulo, aberto finalmente ao público na manhã desta quarta-feira.
Uma parte da história recente do Brasil pode ser contada a partir da fascinação exercida pelo esporte bretão, o qual criou raízes e concebeu frutos em território de Pindorama. O encontro do Brasil com a sua própria cara e identidade. Um encontro de um país com seu presente e futuro.
Para o público pernambucano, o Museu do Futebol começa emocionando pelo encontro de seus clubes mais queridos logo na entrada. Longe de casa, a visão de nossas cores produz alegria e saudade. Um sentimento de infância perdida, uma lembrança das tardes de sol e de vitórias.
Mas o Museu não fica apenas em escudos e lembranças de gol. O genial Gilberto Freyre está presente em uma foto antológica ao lado de Sérgio Buarque de Hollanda e José Américo. Mais que isso. Gilberto Freyre está na mostra dos heróis da nossa história. Pela abertura monumental ao pensamento nacional com suas casas grandes e senzalas. Parece muito, mas ainda encontramos Manoel Bandeira e Nélson Rodrigues. Poesia e movimento, modernidade e irreverência.
Noutra sala, o grito das arquibancadas. E lá estão indeléveis os gritos de nossas torcidas. Fechamos os olhos e nos sentimos nos Aflitos, na Ilha, no Arruda. Olhos fechados, nosso coração dispara ao encontro do coração. Então, refeitos, chegamos na sala dos craques. Imensos, lá estão Vavá e Rivaldo. Vão e voltam, gigantes do nosso futebol.
A camisa 10 de Pelé é imperdível. Mas imperdível também é a figurinha gigante com a história e os títulos das maiores equipes do nosso futebol. Ou quem sabe, Ronaldinho Gaúcho fazendo embaixadinhas em três dimensões? Com sua estrutura óssea intercambiando os seus movimentos?
O futebol merece seu museu. Para que recordemos quem nós somos como povo. Para que recordemos a beleza de ser brasileiro. Para que todos nós voltemos a ser crianças nas asas da imaginação das quatro linhas do gramado.
O Brasil existiria sem o futebol, mas seria com certeza um Brasil sem graça, sem cores, sem gol. Um Brasil sem o (e)terno sorriso de criança.

0 comentários:
Postar um comentário
Comentários