17 de out. de 2008



...CONTINUAÇÃO

Ao final de um turbulento encontro, com opiniões divergentes quanto à postura a ser tomada pelo movimento, decidiu-se, por consenso, aceitar o cruzamento de forma apenas a não impedir que bola rolasse no final de semana seguinte.

Porém, lembro-me bem, após a reunião, alguns dos representantes dos clubes, aqueles mais chegados a este ou aquele jornalista, confidenciavam que a decisão visava apenas e tão somente atender aos aspectos burocráticos.

Havia sido decidido ali que NENHUM dos filiados ao movimento recém-criado aceitaria o cruzamento ao final do Módulo Verde, este sim instituído por eles e com respaldo da opinião pública como o verdadeiro Campeonato Brasileiro.

O descrédito moral da CBF de Nabi e Octávio, aliado ao desejo dos brasileiros de ter uma competição disputada pelos grandes clubes e ao parecer favorável do então presidente do extinto CND, Manoel Tubino, legitimava o movimento.

Lembro ainda que foi justamente por ter tido acesso à informação de que não haveria o cruzamento dos módulos que o América, não aceitou jogar o Módulo Amarelo, sendo rebaixado à Terceira Divisão do Brasileiro de 1988.

Aqui, fecho o parêntese.

O descaso, a pequenez, o amadorismo (no pior dos sentidos!) e a falta de compromisso com o futebol brasileiro fez com que este caso fosse abandonado num passado qualquer como as discussões vencidas no grito.

A CBF, em nova gestão, aproveitou-se de um parecer da Justiça Comum e deu o caso como resolvido, mesmo sabendo que a FIFA não reconhece a soberania das leis nacionais, mesmo sabendo que os brasileiros, em sua maioria, legitimaram o título conquistado pelo Flamengo.

O Flamengo, abandonado moralmente e satisfeito com o grito de campeão que sua torcida fez ecoar pela mídia em todo o Brasil, também pouco (ou nada!) fez para que a instituição que legalizava sua conquista (Clube dos 13) endurecesse o jogo com a CBF, já que não havia porque brigar pelo ideal defendido com tanta rigidez nos primeiros meses de sua criação.

E o Sport, alçado esportivamente à condição de Campeão Brasileiro por ter aceitado as regras de uma competição que ele apenas aceitou cumprir, não viu porque, na ocasião, brigar por um ideal pelo qual não fora convidado a defender. Principalmente com o amparo da Justiça, ainda que anos mais tarde se unisse aos "revolucionários" de outrora.

Rubro-negros, por ironia, Flamengo e Sport, ou Sport e Flamengo, que tratem agora de se orgulhar pelas emoções que ofereceram a seus numerosos e incondicionalmente apaixonados torcedores.

Legalmente, o Sport jamais perderá o título conquistado campo.

Moralmente, o Flamengo jamais deixará de ter sido o campeão daquela Copa União.

E a CBF que trate de saber dar destino ao imbróglio que ela mesma criou.

Afinal, como se não bastasse o título em si, por que após o final do Brasileiro de 92, conquistado pelo Flamengo, um novo troféu foi colocado em disputa, com novo nome e regras para sua posse final?

Se o clube carioca não era por ela reconhecido o legítimo campeão brasileiro de 87, por que recolher a tal Taça de Bolinhas num cofre bancário, encerrando a contabilização que regulamentava seu direito de posse?

Hoje, 21 anos mais tarde, não posso ser culpado por acreditar que o Sport é o campeão de fato, e o Flamengo é o campeão de direito, ou vice-versa, ou versa-vice.

Preocupa-me, sim, é arte que hoje se esquecem de discutir, ou a espécie que poucos se preocupam em preservar.

Roberto, quanto à ata, devo ter novidades hoje à tarde.

O nome do presidente me foi passado por um informante do Clube dos 13, baseado nos dados históricos.

A certeza sobre quem assinou o documento de filiação terei neste contato de daqui a pouco.

Abs,

Gilmar Ferreira



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